Virologia como Ideologia. Uma Crítica à Pseudociência da Classe Dominante (Parte III): Virologia Como Ideologia

3. Virologia Como Ideologia

»A promulgação de informações científicas falsas é tão extensa que qualquer correção significativa é impossível, e uma retratação acabaria com bem mais da metade da literatura científica publicada no último meio século. A resistência à correção do erro em publicações acadêmicas é um mero sintoma de um câncer sistêmico muito maior, que corrompe instituições profissionais e governamentais — na verdade, toda a ciência institucional. A pesquisa já não é motivada por um desejo de determinar objetivamente se uma hipótese é válida, e sim pela intenção de fazer as hipóteses parecerem verdadeiras.«

David Rasnick, A Tirania do Dogma1

»Nada disso [do método científico] funciona quando você está lidando com os preconceitos compartilhados de uma comunidade intelectual inteira, e esses preconceitos são compartilhados porque já houve um processo de selecionar os cientistas. Não é infalível — as pessoas até conseguem entrar com ideias um pouco divergentes —, mas a comunidade científica tem preconceitos em comum. Temos todo um vocabulário: não provado, não ortodoxo, charlatão, excêntrico e assim por diante. E pode crer que temos uma forma tão elaborada de suprimir ideias das quais não gostamos quanto a de qualquer população nos cantos remotos do mundo… O resultado disso tudo é o paradoxo de termos cada vez mais racionalidade num nível pequeno, de laboratório, um conhecimento cada vez mais refinado dos detalhes e, ao mesmo tempo, irracionalidade no empreendimento científico como um todo, o que lhe permite ser tragado por todo tipo de atividade destrutiva, autolimitante e antiética.«

Richard Levins, As Duas Caras da Ciência2

3.1. Introdução: Ciência de Quem? 

Nas duas partes anteriores deste ensaio, tentamos reivindicar e defender o que consideramos ser a posição marxista ortodoxa sobre a ciência: que ela sempre é propriedade de alguém. Como Richard Levins observou, »a questão de quem são os donos da sociedade é extremamente importante, não só para os aspectos econômicos da ciência, mas também para o seu conteúdo.«3 Conforme argumentamos em detalhe, isso significa que a ciência serve à classe dominante, proporcionando‐​lhe um meio de manipular tanto o mundo físico quanto a nós, a população, por meio de sua função explicativa como ideologia. Essas duas funções centrais da ciência muitas vezes entram em conflito e, na Parte 1, refutamos detalhadamente a noção materialista vulgar de que a primeira sempre se sobrepõe à segunda.4 Na verdade, a função ideológica da ciência pode constituir um sério entrave à função »prática«, restringindo‑a, distorcendo‑a e a desviando.

Atualmente, ao longo do espectro marxista ou influenciado pelo marxismo (bem como fora dele), existe um conjunto muito grande de textos criticando as tendências atomistas e mecanicistas que caracterizaram a ciência burguesa ao longo da história. Porém, nesta época de desenlace do capitalismo — tal como no período fascista —, a classe dominante ou, mais precisamente, seus capangas ideológicos se apossam freneticamente de toda e qualquer ideia produzida pelo campo marxista, distorcendo‑a na forma de um suporte vulgar e fascistoide para o seu próprio programa reacionário. Particularmente nos últimos três anos, vimos os veículos de pseudoesquerda de propriedade da classe dominante — por exemplo, Verso, Jacobin, Haymarket, Novara—vomitando uma torrente interminável de crítica pseudomarxista da chamada »medicina capitalista«, ou dos »serviços de saúde capitalistas«, que — de forma muito parecida ao fascismo tradicional — ataca o »individualismo« ou o »liberalismo« do ponto de vista de um pseudocoletivismo reacionário, anti‐​iluminista e antidemocrático.

Antes de passar para a crítica da virologia em si — com a qual esperamos que, após a leitura das seções anteriores, os materialistas rigorosos estejam dispostos a lidar seriamente —, vamos citar um trecho bastante longo da série de palestras Biologia Como Ideologia, de Richard Lewontin. Lewontin nunca foi longe o bastante para reconhecer o quão radicalmente deficientes são a vacinologia e a virologia. Mesmo assim, seu comentário é um exemplo de como uma abordagem marxista séria deve ser — expondo completamente, em contraste, a fraudulência dos cães de guarda do complexo MACIM5 que tentam se apresentar como marxistas atualmente:

»Não se pode contrair tuberculose sem o bacilo de Koch, e as evidências são bastante convincentes de que não se pode adquirir o mesotelioma canceroso sem haver ingerido asbesto ou um composto relacionado. Mas isso não é o mesmo que dizer que a causa da tuberculose seja o bacilo de Koch e a causa do mesotelioma seja o asbesto. Quais as consequências desse modo de pensar para a nossa saúde? Vamos supor que observamos que a tuberculose era uma doença extremamente comum nas fábricas têxteis e outras indústrias miseráveis do século 19, enquanto os casos eram muito menos frequentes entre a população do campo e as classes mais altas. Então, poderíamos ter razão ao afirmar que a causa da tuberculose é o capitalismo industrial desregrado e que, se nos livrássemos desse sistema de organização social, não precisaríamos nos preocupar com o bacilo de Koch. Quando observamos a história da saúde e da doença na Europa moderna, essa explicação faz no mínimo tanto sentido quanto colocar a culpa na pobre bactéria.

Quais são as evidências dos benefícios da medicina científica moderna? Certamente temos vidas bem mais longas que as dos nossos antepassados. Em 1890, a expectativa de vida de um recém‐​nascido branco na América do Norte era de apenas 45 anos, enquanto agora é de 75, mas isso não é porque a medicina moderna tenha prolongado a vida dos idosos e dos doentes. Uma fração muito grande dessa mudança na expectativa média de vida foi uma redução drástica da mortalidade infantil. Antes da virada do século, especialmente em meados do século 19, existia uma chance considerável de que uma criança nunca chegaria a completar um ano de idade — em 1860, a taxa de mortalidade infantil nos EUA era 13%; então, a expectativa média de vida para a população como um todo era bastante reduzida por essas mortes prematuras. As lápides de pessoas que morreram em meados do século 19 mostram um número significativo de mortes em idade avançada. Na verdade, a medicina científica fez muito pouco para adicionar anos às vidas de pessoas que já atingiram a maturidade. Nos últimos 50 anos, foram adicionados apenas cerca de quatro meses à expectativa de vida de alguém que já tenha 60 anos.

Como todos sabemos, na Europa moderna as mulheres vivem mais que os homens, mas costumava ser o contrário. Antes da virada do século [19 para o 20], as mulheres morriam antes dos homens, e uma explicação comum oferecida pela medicina científica é que, na época anterior à medicina moderna, uma das principais causas de mortalidade das mulheres era a febre puerperal. De acordo com essa visão, a medicina antisséptica moderna e a prática hospitalar têm sido grandes salvadores de vidas para as mulheres jovens em idade fértil. Porém, dando‐​se uma olhada nas estatísticas, observa‐​se que a febre puerperal era uma causa menor de mortalidade durante o século 19, mesmo entre mulheres em idade fértil, e certamente não era a causa do excesso de mortalidade entre as mulheres. Quase todo esse excesso de mortalidade era consequência da tuberculose e, quando esta deixou de ser tão mortal, as mulheres deixaram de ter a expectativa de vida mais curta que a dos homens. Entre as crianças, uma das maiores causas de mortalidade eram queimaduras e escaldos, sobretudo entre meninas pequenas, porque, é claro, as meninas passavam muito tempo em condições muito perigosas, perto do fogo aberto na cozinha. Seus irmãos passavam muito tempo fora de casa, em oficinas — em condições de trabalho não muito favoráveis, é claro, mas um pouco menos perigosas do que o fogão da família. 

Voltamos então à tuberculose e às outras doenças infecciosas tão mortais no século 19 e no início do 20. Um exame das causas de mortalidade — registradas sistematicamente pela primeira vez na década de 1830 na Grã‐​Bretanha e, um pouco mais tarde, na América do Norte — mostra que a maioria das pessoas de fato morria de doenças infecciosas e sobretudo respiratórias. Elas morriam de tuberculose, difteria, bronquite, pneumonia e, especialmente entre crianças, sarampo e o matador eterno: varíola. Ao longo do século 19, a taxa de mortalidade por todas essas doenças diminuiu continuamente. A varíola foi combatida por um avanço médico, mas era um que dificilmente poderia ser atribuído à medicina científica moderna, já que a vacina da varíola tinha sido descoberta no século 18 e já era bastante usada a inicios do 19. As taxas de mortalidade pelas doenças mais perigosas, como bronquite, pneumonia e tuberculose, caíram durante o século 19 com bastante regularidade e sem uma causa óbvia. Não houve efeito observável nas taxas de mortalidade após a divulgação da teoria dos germes de Robert Koch, em 1876. A mortalidade por essas doenças infecciosas simplesmente continuou a declinar como se Koch nunca tivesse existido. Na época em que foi introduzida a quimioterapia para tuberculose, no início do século 20, mais de 90% das reduções nas taxas de mortalidade por essa doença já tinham ocorrido.

Um dos casos mais reveladores é o sarampo. Atualmente, as crianças canadenses e estadunidenses não costumam contrair sarampo porque estão vacinadas contra ele, mas, uma geração atrás, toda criança em idade escolar tinha sarampo e, apesar disso, morte por essa doença era extremamente rara. [Entretanto] No século 19 o sarampo era a principal causa de mortalidade entre crianças pequenas e, em muitos países africanos, continua sendo a maior causa de mortalidade infantil. Sarampo era uma doença que todo mundo costumava contrair, para a qual não se conhece nenhuma cura ou tratamento médico e que simplesmente deixou de ser fatal para crianças em países desenvolvidos.

Essas quedas progressivas nas taxas de mortalidade não foram consequências do saneamento básico moderno, por exemplo, pois as doenças que mais matavam no século 19 eram respiratórias, não tinham origem na água. Não está claro se a densidade demográfica por si só teve muito a ver com o processo, tendo em vista que algumas regiões das nossas cidades são tão apinhadas hoje quanto nos anos 1850. Até onde podemos afirmar, a diminuição das taxas de mortalidade por doenças infecciosas no século 19 é consequência da melhoria geral da nutrição e está relacionada a um aumento dos salários reais. Em países como o Brasil hoje [1990], a mortalidade infantil sobe e desce de acordo com reduções e aumentos no salário mínimo. A imensa melhoria nutricional também explica a queda nos casos de tuberculose entre as mulheres em relação aos homens. Na Grã‐​Bretanha, no século 19 e até bem dentro do 20, os homens de classe trabalhadora eram muito mais bem nutridos do que as mulheres presas ao lar. Muitas vezes, se uma família britânica urbana de classe trabalhadora tinha condições de colocar carne na mesa, ela ficava reservada para o homem. Então, houve mudanças sociais complexas, resultando em aumentos nos ganhos reais das grandes massas da população, os quais, por sua vez, refletiam‐​se em parte na sua nutrição muito melhor — o que realmente forma a base da nossa maior longevidade e da redução nas taxas de mortalidade por doenças infecciosas. Ainda que se possa dizer que o bacilo de Koch provoca a tuberculose, chegamos muito mais perto da verdade quando dizemos que o que a causou foram as condições do capitalismo competitivo desregulado do século 19, não modificado pelas demandas sindicais e do Estado. Mas causas sociais não estão no âmbito das ciências biológicas, então os estudantes de medicina continuam a ser ensinados que a causa da tuberculose é um bacilo.«6

Conforme discutido nas seções anteriores, a classe dominante capitalista preferiu a teoria dos germes como a explicação padrão para as doenças — e muitas vezes a única —por motivos materiais e ideológicos óbvios. Essa teoria se encaixa no seu modelo de evolução puramente competitivo e antagonista, que subestima sistematicamente a simbiose ou a cooperação. Ela dá apoio à sua ontologia central — rudimentar, mecanicista, atomista e não‐​dialética. Fortalece o seu fetiche pelo DNA, justificando a eugenia e o racismo. Obscurece danos ambientais decorrentes de todo tipo de poluição — desde a química até a elétrica —, transferido a culpa aos indivíduos por não se proteger ou medicar adequadamente. Atrelada à fantasia das curas mágicas, ela promove a base da fórmula central da biomedicina moderna: »uma doença, uma causa, uma cura«.7

John Rockefeller dirigiu por si só o estabelecimento dessa fórmula numa escala massiva, possibilitando a explosão de uma indústria farmacêutica altamente lucrativa, baseada em grande medida em derivados do petróleo. Na verdade, Rockefeller estabeleceu as bases do complexo MACIM moderno só com esse programa — seguindo o exemplo do seu pai, um autêntico, verdadeiro charlatão —, varrendo para fora do mercado outras formas de cuidado médico e introduzindo na medicina ocidental uma hierarquia profundamente disciplinada, sujeita em última instância aos cartéis suspeitos controlados por ele e sua máfia.8

Doenças infecciosas — reais ou imaginárias — também se mostraram um pretexto duradouro para vigiar, segregar e controlar os movimentos da população. Por exemplo, o sistema moderno de passaportes internacionais foi implementado na Primeira Guerra Mundial, como uma medida explicitamente temporária, acompanhado de muitas promessas de que seria abandonado imediatamente depois da guerra. No entanto, a chamada »gripe espanhola« desempenhou um papel fundamental para justificar sua perpetuação e, com o tempo, seu estabelecimento permanente.9 Evidentemente, a classe dominante deseja alcançar o mesmo com os passaportes de vacina. 

Contudo, como o texto de Lewontin citado anteriormente nos ajuda a compreender, existe uma razão mais profunda por que a infecção em geral e a virologia em particular são pilares centrais da ideologia moderna da classe dominante: elas obscurecem a natureza e as causas não só dos males que as condições do capitalismo impõem à população, mas também — igualmente importante — dos benefícios que os trabalhadores conquistaram para si apesar e por meio da sua luta com os capitalistas. Em outras palavras: os benefícios à saúde humana que na verdade se devem a conquistas dos trabalhadores, como a melhoria da nutrição, dos padrões de vida, das condições de trabalho etc., são transformados ideologicamente pela virologia em presentes que a ciência capitalista concedeu gratuitamente aos trabalhadores do mundo.

Como vamos mostrar mais adiante, não há praticamente nenhuma evidência dos supostos benefícios de vacinas que consiga sobreviver ao escrutínio — e há evidências muito convincentes dos seus graves danos. Temos dados muito bons mostrando que as doenças graves, bem como a mortalidade por todas as doenças das quais as vacinas supostamente nos salvaram, já estavam perto de taxas insignificantes, num curso de declínio claro e bem estabelecido, antes que as »vacinas salvadoras« fossem introduzidas. Em 1971, Edward H. Kass, então editor‐​chefe do Journal of Infectious Diseases e presidente da Sociedade de Doenças Infecciosas dos EUA, fez o seguinte anúncio numa reunião conjunta dessa instituição e do 10º Congresso Interdisciplinar de Agentes Antimicrobianos e Quimioterapia:

»Tínhamos aceitado algumas meias‐​verdades e deixado de procurar as verdades inteiras. As principais meias‐​verdades foram que a pesquisa médica tinha acabado com os grandes matadores do passado — tuberculose, difteria, pneumonia, choque séptico puerperal etc. — e que, junto com nosso sistema superior de tratamento médico, foi um fator fundamental para o aumento da expectativa de vida. Os dados sobre a tuberculose mostram que a mortalidade por essa doença vem declinando constantemente desde meados do século 19 e, de forma quase linear, continuou a diminuir ao longo dos últimos 100 anos [1870 – 1970].

Houve aumentos nos casos de tuberculose durante guerras e sob condições adversas locais específicas. As populações pobres e de densidade demográfica mais alta sempre se deram pior, na guerra e na paz. Porém, o declínio geral da mortalidade por tuberculose não foi alterado de forma mensurável pela descoberta do bacilo de Koch, nem pelo advento do teste de tuberculina, nem pelo surgimento da vacina BCG, nem pela disseminação da testagem em massa, nem pelas intensas campanhas anti‐​tuberculose, nem pela descoberta da estreptomicina. É importante que esse ponto seja totalmente compreendido. Ele foi levantado anos atrás por Wade Hamptom Frost e mais recentemente René Dubos, sendo enfatizado repetidamente ao longo dos anos por muitos observadores da saúde pública. Tendências similares na mortalidade foram registradas em relação a difteria, escarlatina, febre reumática, coqueluche, sarampo e muitas outras doenças.«10

O argumento iconoclasta de Kass estava embasado em vários gráficos surpreendentes; mais adiante vamos examinar gráficos semelhantes com mais detalhe. Entretanto, apenas para dar um exemplo aqui, vamos ver um gráfico da mortalidade infantil por sarampo na Inglaterra e no País de Gales [a seta indica o ano da suposta »descoberta« do »vírus« do sarampo, 1954]:

Edward H. Kass, »Infectious Diseases and Social Change.« Journal of Infectious Diseases, 123, nº 1 (1971), pp. 110 – 14, https://​www​.jstor​.org/​s​t​a​b​l​e​/​3​0​1​0​8​855.

O que os dados e as evidências verdadeiros sugerem — e que na verdade é bem fácil de ver, apesar de todos os esforços para suprimir e censurar isso — é que as melhorias na saúde e no bem‐​estar humanos que costumam ser atribuídas à ciência médica moderna, sobretudo à virologia, devem‐​se muito mais às conquistas políticas das classes trabalhadoras globais, nas formas do comunismo revolucionário e da social‐​democracia. É claro que isso [também] é verdadeiro no caso de ganhos científicos genuínos, a maioria dos quais teria sido impossível sem educação geral e uma capacitação popular mais ampla. 

Sendo assim, é difícil lidar com essas questões isoladamente e este trabalho não pode oferecer um relato sistemático da história da ciência e da luta de classes na era capitalista. No meu texto O Imperialismo Hoje é a Práxis da Conspiração,11 pode‐​se encontrar uma abordagem bem esquemática dos principais contornos e tendências na luta de classes global ao longo do último século. Ali também explicamos por que justo a época na qual se observa uma mudança no papel político‐​ideológico da virologia — mais precisamente na operação HIV/​AIDS—corresponde à derrota do comunismo revolucionário, à consequente redundância do acordo social‐​democrata e ao início de um programa reacionário mais direto de desumanização, segregação, disgenia e despovoamento. 

Entretanto, para explicar isso tudo, primeiro precisamos expor de uma vez por todas a podridão no coração da virologia, para mostrar que ela é fundamentalmente pseudocientífica. Em sua essência, ela pega os fetiches ideológicos que fizeram a classe dominante se inclinar à teoria dos germes e os eleva a um nível fanático, da mesma forma como a »ciência« racial nazista fez com a já grotesca ciência racial que então formava o consenso científico respeitável do Ocidente capitalista‐imperialista.

Para isso, é claro, precisamos perguntar: para começar, por que as pessoas acreditam na virologia? A resposta, de modo bem geral, é algo do tipo: ela funciona. 

Deixando de lado a quantidade considerável de intervenções científicas, terapêuticas etc. que funcionaram apesar de estar baseadas em teorias falsas, ainda assim podemos mostrar bem claramente que, para além dos seus próprios termos fraudulentos, na verdade existem muito poucas evidências convincentes de que a virologia »funciona«, na medida em que »funcionar« significa conduzir à saúde ou ao bem‐​estar do ser humano. Poucas pessoas têm mais do que uma confiança morna até nos melhores supostos »antivirais«. Muitos antivirais que tenham qualquer utilidade — se não a maioria — foram descobertos por coincidência ou tentativa‐​e‐​erro. Ou seja, descobriu‐​se (ou assim se diz) que esses produtos aliviam sintomas de alguma doença supostamente viral e então, só depois, postulou‐​se (ou »descobriu‐​se«) um mecanismo de ação antiviral. Mas de qualquer forma, esses medicamentos estão além do âmbito deste trabalho. Ninguém cita os antivirais para defender a virologia: citam‐​se as vacinas.

Não é por acaso que as vacinas provocam os urros mais histéricos, estridentes e raivosos dos fiéis devotos do complexo MACIM — apesar de que, talvez, a essa altura, pelo menos para aqueles que estejam começando a abrir os olhos, esse fato por si só já pareça significativo e eloquente. Será que o motivo por que todas as instituições da classe dominante, em uníssono, vilipendiam eternamente os críticos da vacinação é porque eles simplesmente sejam assim tão perigosos para a população em geral? Ou será porque eles são perigosos para a própria classe dominante? Na real: qual é mais provável? E se você tem ou já teve um desprezo visceral por esses críticos (como este autor precisa admitir que também já teve!), considere a possibilidade de refletir honestamente se esse desprezo era (ou é) embasado racionalmente no seu próprio julgamento e na sua experiência, ou se é uma reação condicionada, provocada, cultivada com ajuda daquele enorme orçamento de marketing discutido na Parte 2 (que é só uma fração do dinheiro gasto em promover vacinas, virologia e »medidas de saúde pública« [supostamente] baseadas em infecções, considerando‐​se o papel central que agências de saúde governamentais, ONGs e agências de inteligência agora desempenham no processo).

Na verdade, é notável como os vilães da narrativa pró‐​vacina são as mesmas velhas fantasias reacionárias da direita em geral: mulheres que falam demais umas com as outras, especialmente sobre sua própria saúde e a dos seus filhos (»mães superprotetoras em grupos de Facebook«), imigrantes (»portadores de doenças«, »supersticiosos«, »atrasados«, »infestados de pragas«) e qualquer minoria étnico‐​religiosa. Nos Estados Unidos, os negros e os judeus são alvos frequentes. De fato, é inacreditável o tom hitleriano dos liberais novaiorquinos cosmopolitas e »esclarecidos« toda vez que surge o assunto dos judeus hassídicos não‐vacinados.

Porém, no fim das contas, a predominância de ideias reacionárias e retrógradas no centro do capitalismo imperialista não deveria nos surpreender muito. Como Richard Levins observou, nos séculos 19 e 20 os EUA eram o bastião mundial da pseudociência racista. Eram o centro das palestras e publicações sobre eugenia, com leis de esterilização que vigoraram até os anos 1970, inclusive para »deficiências« como ser pobre durante três gerações ou ser considerado »promíscuo«. Ele comenta: »até uma época relativamente recente, era considerado legítimo tentar melhorar a raça branca mediante a esterilização de pessoas »com defeito«. Tudo isso era levado a cabo por cientistas bem instruídos, formados em universidades de elite.«12

Como Engelbrecht et al. destacam, em 1949, o Prêmio Nobel de Medicina foi outorgado a António Egas Moniz pela invenção da lobotomia, apesar de não haver provas da segurança ou eficácia desse procedimento. O número de lobotomias realizadas nos EUA disparou de 100 em 1946 para 5 mil em 1950. Compare‐​se essa abordagem com a dos soviéticos, que baniram a lobotomia em 1950, declarando‑a »incompatível com os princípios da humanidade«.13 A organização do Prêmio Nobel continuou a defender Moniz por meio século. Ou considere o seguinte caso (também citado por Engelbrecht et al.):

»Em 1979, o psiquiatra californiano H. Brown recomendava psicocirurgia para a reabilitação de menores infratores. Suas propostas eram discutidas no London Times e no Washington Post — argumentando que esse tipo de reabilitação era muito mais barato, custando apenas 6 mil dólares, enquanto a custódia vitalícia custava em torno de 100 mil.«14

Não se pode evitar lembrar aqui os argumentos dos »filósofos« e »especialistas em ética«, com uma »lógica« similar, defendendo vacinação obrigatória nos últimos dois anos [2021 – 22] — porque isso seria mais gentil do que as coisas ainda mais sinistras que eles poderiam imaginar nos fazer! Então, novamente, apenas instamos os leitores a tentar superar as cegueiras conceituais — sobretudo a praga do cientificismo—que tornam o verdadeiro caráter desses fenômenos tão difícil de entender para tantas pessoas.

Não há nenhuma razão materialista histórica para supor que, ao longo do século 20, as condições para a produção científica continuaram melhorando no mundo capitalista — mas há todas as razões para crer que essas condições pioraram consideravelmente, sobretudo desde a contrarrevolução global. Com a classe trabalhadora derrotada e retraída ao redor do mundo e a classe capitalista triunfante além dos seus sonhos mais loucos, inabalada por qualquer vestígio até mesmo de social‐​democracia, devemos pressupor que a pseudociência prevalece, talvez até predomina. É claro que essa é uma pílula difícil de engolir para aqueles que continuam a alimentar a fantasia de uma carreira científica acima ou fora da luta de classes, em que, de alguma forma, consegue‐​se manter os princípios, fazer o »bem« e ainda ganhar um bom salário! 

Após expor a fraudulência das vacinas, vamos partir para o campo da virologia em si. Vamos mostrar que seus fundamentos se baseiam numa combinação de pressupostos não justificados, »validados« por experimentos que, a essa altura, seriam amplamente reconhecidos como completamente anticientíficos. Desde a fundação da virologia, foi erguida uma bateria de medições secundárias e terciárias que lhe dão uma fachada científica, de modo que esses experimentos rudimentares não são mais necessários. Porém, os pressupostos que esses meios mais avançados assumem foram estabelecidos com base em tais experimentos rudimentares e, sem eles, caem por terra. Aqui é necessário fazer um parêntese importante: muitos críticos da virologia reproduzem o positivismo e o atomismo extremos que se encontram na base da virologia, às vezes de uma forma ainda mais parodiada. Curiosamente, muitas vezes isso coexiste de maneira incoerente e dissonante com um holismo ingênuo e religioso (ou quase). Vamos ter de criticar ambos também. 

Vamos mostrar que, para muitas das assim chamadas »doenças virais«, existem evidências muito melhores de outras causas — e estas quase sempre incriminariam parcelas influentes da classe dominante. Este é o ponto em que precisamos nos aventurar por um território mais especulativo e duvidoso, onde a caracterização da virologia como »ideologia« se torna complicada, pois devemos lidar com o grau em que facções importantes da classe dominante, nos seus níveis mais altos, devem saber que a virologia acadêmica é falsa, ou no mínimo cheia de erros sérios. Essa realidade só é inteligível quando se admite o caráter ultraconsolidado da atual classe dominante global, coisa que muitos marxistas continuam relutantes a fazer. Entretanto, uma simples olhada superficial ao pequeno número de organizações que controlam basicamente o complexo MACIM inteiro já torna essa conclusão inevitável.

O que não vamos fazer aqui é dar uma explicação completa e positiva dos fenômenos que hoje são interpretados principalmente pelos conceitos da virologia. Também não vamos excluir, de forma reducionista, a possibilidade de que pesquisas úteis tenham sido feitas inclusive sob e dentro desses conceitos bastante falhos. Na verdade, um dos argumentos centrais deste texto é que simplesmente não estamos em condições políticas e epistêmicas de emitir julgamentos tão definitivos. Uma abordagem corretamente materialista da ciência, é claro, precisa estar embasada numa avaliação corretamente materialista de nossa verdadeira posição, nossas capacidades e fraquezas. Vamos desenvolver melhor esse tema na Parte 4; por enquanto, basta enfatizar o caráter provisório da crítica aqui apresentada. 

As pessoas que nos últimos dois ou três anos desceram pelo labirinto, por assim dizer, do ceticismo das vacinas — e, em última análise, dos vírus — comentam muito que duas coisas em particular lhes chamaram atenção. A primeira é a vastidão impressionante e o rigor do conjunto pré‐​existente da produção médico‐​científica heterodoxa. A segunda é o quão redundante ele é. Milhares de pesquisadores, cientistas, médicos, curandeiros e outros, talvez dezenas de milhares, passaram pelo mesmo processo ou similares, examinando minuciosamente as evidências das vacinas ou dos vírus e constatando que eram insuficientes. A maioria tentou evitar ao máximo conclusões radicais ou extremas, mostrando uma enorme ingenuidade ao tentar salvar o arcabouço conceitual geral da virologia enquanto procuravam incorporar todos os dados contrários.

De fato, parece que foi só dentro do contexto da resistência às medidas do »coronavírus« que um movimento confiante o bastante para questionar o arcabouço inteiro da virologia ganhou força seriamente, liderado por Tom Cowan, Dr. Andrew Kaufman, Mike Stone, Dr. Mark Bailey, Dr. Kevin Corbett, Dr. Stefan Lanka, Dr. Christine Massey, os autores de Virus Mania [Engelbrecht et al.] e muitos outros. Isso não é coincidência. Antes do »covid«, havia muitas ilhas de ceticismo desconectadas — a maioria incompleta, parcial, cautelosa, abrindo seu caminho meio às cegas pelo material. O que a classe dominante fez sem querer, através do »covid«, foi forjar conexões inéditas entre os grupos de céticos que já existiam, além de mandar um número sem precedentes de novos membros às suas fileiras. Ao assaltar os padrões de vida da elite proletária e da classe média, que antes lhe eram mais ou menos leais, a classe dominante produziu uma população alienada o bastante para entreter essas proposições radicais.

Em síntese: a audácia da classe dominante ao empurrar‐​nos o programa do »coronavírus«, o cinismo e a mendacidade incansáveis de sua aplicação da virologia serão o fim do edifício inteiro. Os índices gerais de vacinação estão caindo no mundo todo. A cada dia, a classe trabalhadora global forma um entendimento mais preciso da fraude perpetrada contra ela. Nunca o prospecto de uma revolução verdadeiramente total e mundial foi mais possível. Aqueles que deveriam ser as parteiras dessa vitória — os comunistas — continuarão a decepcionar e trair a humanidade, se persistirem na sua devoção fanática a uma mitologia da classe dominante.

Talvez justamente por causa do cientificismo do movimento marxista organizado e da esquerda de modo geral, grande parte das críticas mais bem articuladas às vacinas e à virologia provém da classe média e da pequena burguesia. Isso também não é coincidência, é claro. Essas classes possuem mais recursos, mais tempo livre, condições melhores de avaliar e cuidar da saúde dos seus filhos e da própria. Em países como os Estados Unidos, seu passado colonialista imbuiu‐​os de uma relação parcialmente antagonista com o governo central, inclinando‐​os em direção a um libertarismo civil inconsistente, mas não desimportante. Dentro de certos limites, eles possuem os fundos independentes necessários para produzir e apoiar mutuamente suas próprias manifestações ideológicas. Muitas vezes, suas tendências religiosas os inclinam a um profundo ceticismo em relação à ciência, que, ainda que reacionário de modo geral, possibilita insights verdadeiros em certos contextos limitados — sobretudo estando a própria ciência tão profundamente corrompida.

Historicamente, é importante destacar que a resistência às vacinas tem sido uma causa recorrente da classe trabalhadora, muitas vezes interligada com o movimento sindical. Isso está amplamente documentado no livro Dissolvendo Ilusões (Dissolving Illusions, 2013), de Suzanne Humpries e Roman Bystrianyk. Entretanto, a literatura com que esta seção terá de lidar, no geral, é de um caráter definitivamente pequeno‐​burguês, com todas as limitações que isso implica. Infelizmente, isso é inerente ao próprio status profissional e à educação implicitamente requeridos antes que uma pessoa seja autorizada a proferir a menor dúvida sobre »A Ciência«.

Dito isso, pedimos que os leitores considerem os argumentos e as evidências apresentados, examinem‐​nos em detalhe, confiram mais uma vez todos os estudos e todas as afirmações. Por fim, instamos os leitores a recordar os vieses estruturais da ciência descritos anteriormente — em resumo, lembrar que, diante de dois estudos publicados e igualmente bons, um dos quais indica que as vacinas funcionam e o outro não, este último tem maior probabilidade a priori de ser verdadeiro.15 Por conveniência, a seção a seguir será em grande parte derivada do livro Virus Mania, de Torsten Engelbrecht, Dr. Claus Köhnlein, Dr. Samantha Bailey e Dr. Stefano Scoglio (3ª edição, 2021). É claro que aqui só podemos dar uma amostra muito superficial. O objetivo deste trabalho é levar mais marxistas a se engajar com o conjunto maior de literatura antivacina e antivirologia, colocá‐​la sob análise e crítica detalhadas e integrar suas principais observações ao nosso arcabouço conceitual mais amplo e à nossa luta.

3.2. Vacinas

Os defensores das vacinas, quando interpelados ou desafiados, quase invariavelmente apelam primeiro à autoridade, em seguida ao progresso histórico e, por fim, meio a contragosto, a estudos publicados. Mas é muito mais provável que desprezem seu interlocutor como maluco antes de chegar ao terceiro estágio — talvez porque os estudos que existem dificilmente convencem alguém. Esperamos que as Partes 1 e 2 deste trabalho tenham sido suficientes para estabelecer que o fato de o CDC, a FDA, a OMS ou a AAP declararem que algo é verdadeiro é um bom motivo para crer que não o seja. 

Vamos ver, então, o argumento mais persuasivo brandido pelos vacineiros: a relação — obviamente melhorada — da nossa sociedade (no primeiro mundo) com as pragas supostamente infecciosas do passado.

Esperamos que as citações anteriores de Kass e Lewontin já tenham começado a desmantelar algumas das pré‐​concepções mais comuns aqui. Como Lewontin em particular observou, não existe nenhum impacto distinguível nas doenças que tenha sido produzido pela formulação da teoria dos germes, nem pela introdução de nenhuma das principais vacinas. Isso é tão radicalmente contrário a tanta propaganda com a qual fomos impregnados que só pode realmente ser compreendido através de gráficos.16

Já vimos anteriormente como o declínio do sarampo não manifesta nenhum sinal indicando a introdução da vacina. Para reiterar esse ponto, podemos olhar um gráfico mais moderno e detalhado:

Mortalidade por sarampo na Inglaterra e no País de Gales de 1838 a 1978. A última seta indica o ano da introdução da vacina, 1968.

Mas sarampo é apenas uma doença entre tantas. Como é a situação com a poliomielite? 

Neil Z. Miller, »Vaccines: Are They Really Safe and Effective?«, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2. As linhas verticais indicam a introdução das vacinas. »De 1923 a 1953, muito antes do início da vacinação em larga escala contra a poliomielite em meados da década de 1950, a mortalidade atribuída à poliomielite já havia caído significativamente: nos Estados Unidos, 47%; na Grã‐​Bretanha, 55%; em outros países europeus as estatísticas são semelhantes. […]«17

É claro que a pólio também poderia ser um ponto fora da curva. Vamos ver outra daquelas doenças antiquadas de nome esquisito das quais se diz que a ciência nos salvou, como, por exemplo, »tosse comprida« [coqueluche]:

Mortalidade por coqueluche nos EUA de 1900 a 1967. A seta indica o período de disseminação da vacina, em fins da década de 1940.

E se compararmos a coqueluche com a vacina tríplice bacteriana (DTP)?

A linha cinza indica a mortalidade por coqueluche na Inglaterra e no País de Gales de 1901 a 2008. A linha pontilhada mostra a porcentagem de crianças até 2 anos de idade que receberam a DTP, de acordo com a escala à direita do gráfico.

Difteria?

Mortalidade por difteria nos EUA de 1900 a 1967. A primeira seta mostra a introdução da antitoxina diftérica, o medicamento padrão contra a difteria até a introdução da vacina, indicada pela segunda seta, em 1920.

Confrontando a varíola [linha cinza] e a vacinação contra ela [linha azul], será que encontramos evidências convincentes do benefício da vacinação em combatê‐​la? Este gráfico é de Leicester, um lugar conhecido pela resistência feroz da classe trabalhadora a vacinas:

Vamos ver as taxas de mortalidade por algumas das principais doenças [supostamente] infecciosas no Reino Unido de 1938 até 1978 [as setas indicam o uso das respectivas vacinas].

E a mesma coisa no estado do Massachusetts (EUA), de 1861 a 1970.

Agora, vamos ver a progressão da escarlatina, uma doença bacteriana contra a qual nenhuma vacina foi introduzida:

Mortalidade por escarlatina na Inglaterra e no País de Gales de 1838 a 1978

Ou uma doença que hoje em dia se reconhece amplamente não ser contagiosa — escorbuto:

Mortalidade por escorbuto na Inglaterra de 1901 a 1967.

Ou até a »infecciosa« coqueluche [linha preta] comparada com o »não‐​infeccioso« escorbuto [linha amarela], no Reino Unido.

Ou a mesma coisa com o sarampo [linha preta] comparado ao escorbuto [linha amarela], também no Reino Unido.

Quando examinamos os verdadeiros padrões de doenças supostamente infecciosas na época moderna, a eterna afirmação dos vacineiros — de que estamos numa situação muito melhor hoje, após a introdução das vacinas, do que estávamos antes — evidentemente se mostra verdadeira. Mas também não há nenhuma evidência de conexão entre os dois fenômenos. Pelo contrário, há evidências abundantes de que alguma outra coisa deve explicar essa redução da mortalidade e das doenças. Não existem dados de observações históricas de longo prazo que realmente mostrem qualquer eficácia de vacinas. Nada.

É difícil enfatizar o quão devastador para o caso das vacinas é esse contexto histórico simples e de fácil acesso, porque simplesmente não existem evidências melhores em prol delas. Os critérios científicos para se estabelecer a segurança ou a eficácia das vacinas são incomparavelmente baixos — até para os padrões profundamente insatisfatórios erguidos nos cartéis do complexo MACIM. Nenhuma vacina disponível atualmente foi realmente submetida a um estudo clínico controlado randomizado de longo prazo para discernir quer sua segurança, quer sua eficácia. Nem uma única vacina, nunca, mostrou realmente reduzir a frequência da doença contra a qual ela supostamente protege.

O requisito que as vacinas precisam cumprir para que se estabeleça sua »eficácia« é demonstrar uma certa concentração de anticorpos, não eficácia direta contra uma doença real. Neste ponto, é importante destacar que a maioria das vacinas não produz esses níveis de anticorpos sem o uso de adjuvantes, isto é, toxinas como mercúrio e formaldeído. Então, não são as substâncias biológicas supostamente específicas, e sim as toxinas inflamatórias nelas incluídas, que produzem os resultados que justificam fraudulentamente as afirmações de eficácia. Como Hans Tolzin observou:

»A concentração elevada [de anticorpos] é provavelmente uma resposta imune às inúmeras toxinas e outras substâncias químicas presentes nas vacinas. […] Até hoje, nem o Instituto Paul Ehrlich, nem o Instituto Robert Koch (o CDC da Alemanha) foram capazes de me fornecer evidências científicas de que esse nível elevado garante não contrair a doença.«18

O tipo de estudo que demonstraria conclusivamente a segurança ou a eficácia de uma vacina — duplo cego, controlado com placebo e de longo prazo—simplesmente nunca é feito. [grifo nosso] Em geral, isso é racionalizado com o argumento — a essa altura bem familiar no contexto das vacinas da »covid« — de que seria antiético privar as pessoas de um medicamento que salva tantas vidas. Esperamos que os leitores estejam começando a perceber a profundidade e a mendacidade da falta de lógica em ação aqui. Nas raríssimas ocasiões em que se levou a cabo algo próximo a um tal estudo adequado, ficou bem claro o motivo de isso não ser feito com mais frequência.

Por exemplo, nos anos 1960, a OMS conduziu um grande estudo na Índia sobre a vacina BCG, da tuberculose, comparando grupos igualmente grandes de vacinados e não‐​vacinados. No grupo vacinado, não se encontrou nenhum aumento do efeito de proteção, mas se observou um índice consideravelmente maior de adoecimento e mortalidade.19 Em 2012, um estudo comparando uma vacina de gripe e um placebo, em crianças, constatou que »não houve diferença estatisticamente significativa no risco de infecção confirmada por influenza sazonal« e que o grupo vacinado »apresentou maior risco de enfermidade respiratória aguda por infecções diferentes da influenza«.20 Uma extensa meta‐​análise conduzida por Tom Jefferson, do Instituto Cochrane, e replicada no British Medical Journal observou que »as evidências provenientes de revisões sistemáticas de literatura mostram que vacinas inativadas têm pouca ou nenhuma influência nos efeitos medidos«.21

Costuma‐​se concluir que as vacinas são eficazes apenas porque, em estudos de curto prazo, elas aumentam os níveis de anticorpos no sangue — ainda que não tenha sido provado que os anticorpos sejam específicos, e ainda que não existam evidências estabelecendo que a presença de anticorpos tenha sequer alguma correlação com uma probabilidade reduzida de doença futura. Os pouquíssimos estudos de longo prazo tentando determinar se populações vacinadas contra uma doença específica realmente sofrem menos da doença propriamente dita do que populações não‐​vacinadas, na realidade, não apresentam nenhuma evidência de eficácia — apesar de que, de fato, esses estudos sejam muito poucos para se tirar deles qualquer conclusão definitiva. Ainda assim, é muito fácil tirar a conclusão óbvia, lógica e racional aqui: se existisse alguma boa prova da eficácia desses produtos tão altamente lucrativos quanto controversos, já teríamos sido informados! O fato de que, apesar de todos os seus esforços, os vacineiros não conseguem nos dar nem um sequer dos seus estudos tipicamente manipulados e fabricados mostra além de qualquer dúvida o quão inúteis e perigosos esses produtos devem realmente ser.

E quanto às sequelas provenientes de vacinas? Outra vez, pelas mesmas razões descritas anteriormente, os tipos de estudos que seriam necessários para provar definitivamente que as vacinas são seguras nunca são feitos. Apesar de a maioria das vacinas ser designada e propagandeada com a intenção de um efeito de longo prazo, até mesmo vitalício, os estudos sobre sua segurança e seus riscos à saúde só são realizados a curto prazo — muitas vezes apenas dias ou semanas.

Além disso, esses estudos não são conduzidos em comparação a placebos verdadeiros, e sim a outras vacinas que já foram (de forma fraudulenta) declaradas seguras. Mais ainda, é preciso lembrar que até esses estudos de curto prazo são feitos sob as condições nas quais Stegenga22 argumentou que devemos ter confiança extremamente baixa a priori. Entretanto, alguns estudos que mostram os potenciais danos verdadeiros das vacinas conseguiram passar pela peneira.

Por exemplo, diversos estudos observaram que, de modo geral, os não‐​vacinados são consideravelmente mais saudáveis que os vacinados.232425 Um estudo de 2011 constatou que »quanto mais vacinações um país teve, maior a taxa de mortalidade de bebês até um ano de idade no país.«26 É interessante notar que, durante a suposta »pandemia« mais recente, a redução dramática no número de vacinações de bebês [devido aos lockdowns] correspondeu a uma redução da mortalidade infantil. Dados de um estudo conduzido pelo Instituto Robert Koch, da Alemanha, claramente mostram um número maior de alergias, transtornos do crescimento, infecções [sic] e doenças crônicas entre os vacinados. Os autores, com seus graves conflitos de interesses, valeram‐​se de exclusões questionáveis para negar esses resultados — em particular, excluindo crianças imigrantes de 11 a 17 anos de idade, que formam uma enorme parcela dos não‐​vacinados dessa faixa etária na Alemanha.27

Outra fonte importante de dados são os estudos que analisam a cronologia das vacinações, observando com frequência que, quanto mais tarde as vacinas são administradas, menores os danos. É claro que estes estudos necessariamente implicam algum risco na vacina em si — o qual, presumivelmente, poderia ser mitigado mais ainda se ela não fosse administrada!

Uma análise de 2020 constatou que »a vacinação antes de um ano de idade estava associada a uma maior probabilidade de atrasos no desenvolvimento, asma e infecções de ouvido.«28 Como Engelbrecht et al. observam, »este estudo era único, no sentido de que todos os diagnósticos foram verificados usando‐​se históricos clínicos extraídos de cada um dos consultórios pediátricos participantes.«29 O autor que liderava o estudo concluiu que »os resultados definitivamente indicam melhor saúde em crianças que não receberam vacinas em seu primeiro ano de vida. Esses resultados são consistentes com pesquisas adicionais que identificaram a vacinação como fator de risco de uma variedade de efeitos adversos de saúde«. Outro estudo observou que crianças que recebem mais tarde a tríplice bacteriana (DTP) têm um risco mais baixo de desenvolver asma aos 7 anos de idade.30

O altamente respeitado e ortodoxo Instituto Cochrane publicou em 2012 uma análise revisando vários estudos sobre a vacina tríplice MMR. Eles encontraram falhas sérias ao longo da literatura e nenhum dos estudos satisfez seus critérios metodológicos. Sua conclusão mais importante trata do estudo de Fombonne e Chakrabarti (2001)—o estudo mais citado para »refutar« a relação entre a tríplice MMR e o autismo. O relatório conclui: »o número e o possível impacto dos vieses nesse estudo são tão altos que é impossível interpretar os resultados.«31

Conforme demonstrado anteriormente, a percepção comum de que as tendências históricas mais amplas evidenciam os benefícios das vacinas é falsa. Por outro lado, no último meio século, sobretudo após o ônus por sequelas de vacinas ser transferido das empresas privadas para a população (o que, nos EUA, foi realizado no governo Reagan), os índices de vacinação explodiram. Será que estamos colhendo os frutos de uma nova era de ouro de boa saúde? Muito pelo contrário. Até 1986, menos de 13% das crianças tinham doenças crônicas. Na geração das vacinas, esse número subiu para 54%.32

Existe uma linha de propaganda de direita, comum e perniciosa, de que isso é tudo uma questão de hipersensibilidade e excesso de diagnósticos. Se bem que certamente vivemos numa sociedade cada vez mais hipermedicada, a afirmação de que essa explosão de doenças crônicas possa ser reduzida ao excesso de diagnósticos claramente não se sustenta — pelo menos não no caso do autismo.33 De 1986 até hoje, a incidência de autismo nos EUA saltou de 1 em cada 2.500 para 1 em cada 36. Qualquer um que queira abordar essa realidade seriamente poderá confirmar esses números em sua própria área de atuação, sobretudo se estiver disposto a ignorar as histórias mendazes manipuladas pelas grandes farmacêuticas para jogar a culpa nos outros, principalmente nas mães — por exemplo, por uso de drogas, negligência etc. Como Kennedy Jr. observou:

»O CDC não poupa esforços para rastrear sistematicamente a origem de 800 casos de sarampo. Mas quando indagado sobre a epidemia cataclísmica de 68.000 novos casos de autismo por ano, o CDC dá de ombros.«34

Um denunciante do CDC, Dr. William Thompson, atestou perante os tribunais, sob juramento, que seus superiores nesse órgão ordenaram‐​lhe destruir dados que mostravam uma relação entre vacinação e autismo e publicar um estudo fraudulento que desmentisse a relação.35 David Rasnick relata um incidente particularmente revelador:

»Em junho de 2000, um grupo de cientistas do governo e oficiais de saúde de alto escalão, provenientes da indústria farmacêutica, da FDA, do CDC e da OMS, reuniu‐​se para um encontro altamente secreto em Norcross, no estado da Geórgia (EUA), a fim de discutir a segurança de uma série de vacinas infantis comuns, administradas a bebês e crianças pequenas. A partir do enorme banco de dados do CDC, ficou claro que o timerosal, à base de mercúrio, era responsável por um aumento dramático do autismo e de uma série de outros problemas neurológicos entre as crianças vacinadas. Em vez de agir imediatamente para alertar o público e remover o timerosal do suprimento de vacinas, esses oficiais e executivos passaram dois dias discutindo como encobrir os dados prejudiciais. De acordo com as atas do encontro, obtidas através da Lei de Acesso à Informação, muitos dos presentes estavam preocupados com a forma como essas revelações prejudiciais sobre o timerosal afetariam os lucros líquidos da indústria de vacinas.«36

Os Estados Unidos têm o calendário de vacinação mais agressivo do mundo — e a população mais doente do mundo desenvolvido, sob a maioria dos critérios, inclusive mortalidade infantil.37 A geração atual será a primeira em um século a perder QI.38 Kennedy Jr. indaga: »será que esses declínios não são o resultado de se injetar duas das neurotoxinas mais potentes do mundo — mercúrio e alumínio — em praticamente toda criança, em doses cavalares, várias vezes, desde o dia do nascimento?«39

Até instituições oficiais reconhecem que as sequelas causadas por vacinas são sistematicamente subnotificadas. O Instituto Paul Ehrlich, da Alemanha, estima que 95% das reações adversas não são notificadas naquele país.40 Anthony R. Mawson, do departamento de Epidemiologia e Bioestatística da Universidade Estadual de Jackson, no Mississippi (EUA), informou em 2018:

»Mais de 3 bilhões de dólares já foram gastos pelo Programa Nacional de Indenização por Sequelas de Vacinas, por lesões e mortes associadas aos imunizantes, e apenas cerca de 1% de tais casos são notificados oficialmente no VAERS [sistema para notificar reações adversas a vacinas nos EUA]. Os efeitos de longo prazo da vacinação na saúde das crianças continuam praticamente desconhecidos, mas costuma‐​se presumir que se limitam à prevenção da doença que têm como alvo. O Instituto de Medicina recomendou estudos para abordar essa questão. Porém, os ensaios clínicos controlados randomizados, que são o padrão‐​ouro desse tipo de pesquisa, são considerados antiéticos, porque geralmente envolvem privar algumas crianças das vacinas necessárias a fim de criar um grupo de controle. As vacinas também têm um status quase religioso de »vacas sagradas« da medicina e da saúde pública, o que desencoraja a investigação científica, e os críticos muitas vezes sofrem ataques pessoais, sendo rotulados como »antivacinas« de forma pejorativa.«41

Stegenga despreza os antivacinas de antemão, argumentando que, supostamente, eles fazem extrapolações ainda mais egrégias e sem fundamento do que os defensores da indústria farmacêutica, que fazem afirmações com base em um ou dois estudos. Ao fazê‐​lo, ele esquece o desequilíbrio estrutural central que forma a base de todo o seu próprio argumento: estudos publicados têm uma enorme tendência a mostrar benefícios reais e nenhum dano proveniente de produtos farmacêuticos potencialmente lucrativos. Sob tais condições, até o menor sinal de danos ou ineficácia de vacinas deveria ser alarmante.

Da mesma forma, o fato de que os vacineiros não querem ou não são capazes de produzir evidências sólidas e convincentes em favor das vacinas constitui um argumento muito forte para concluir que, na verdade, as vacinas são perigosas e ineficazes. Se elas fossem seguras e eficazes, com certeza a indústria farmacêutica garantiria que pudéssemos encontrar essa informação o mais facilmente possível!

Agora que os benefícios concretos da virologia foram questionados seriamente, podemos fazer um breve resumo histórico dessa disciplina, esperando que suas implicações radicais possam ser avaliadas com uma mente realmente aberta.

3.3. Virologia: Breve Resumo Histórico

»Não foi primeiro observada uma partícula viral e em seguida desenvolvidas a teoria e a patologia virais. Cientistas no século 19 estavam preocupados em identificar entidades patogênicas contagiosas imaginadas. Não foram as observações de um inducionista ingênuo que identificaram um vírus a priori, para depois se passar a estudar suas propriedades e características. A presunção na época era de que existia uma partícula microbiana muito pequena que poderia explicar o contágio. O que veio depois surgiu para realizar o pressuposto.«42

Conforme discutido anteriormente, há bons motivos para crer que a teoria dos germes foi estabelecida como o paradigma dominante da medicina capitalista tanto [ou mais] por razões econômicas e ideológicas quanto pela veracidade do seu conteúdo intrínseco.

Evidentemente, isso não quer dizer que ela não tenha nenhum conteúdo verdadeiro. Parasitas como piolhos se transmitem visivelmente de um hospedeiro a outro, provocando doenças. Da mesma forma, bactérias, ao contrário dos vírus, foram bem caracterizadas e isoladas, ainda que o seu protagonismo no processo de adoecimento provavelmente seja, no mínimo, bastante superestimado. A especialidade da virologia surgiu da presunção de que, nos casos de doença em que não se podia encontrar nenhum patógeno, a causa deveria ser algum patógeno — como as bactérias, só que ainda menor. 

Já é amplamente reconhecido que, pelo menos em alguns casos, essa premissa se provou falsa. Escorbuto, pelagra (pele áspera) e beri‐​béri (doença de mineiros e prisioneiros) já foram todos em algum momento considerados contagiosos, até que — como apontam Engelbrecht et al.—»a ortodoxia finalmente admitiu, entredentes, que a verdadeira causa eram deficiências vitamínicas.«43

Neste ponto, vale a pena entrar na fenomenologia por um momento. Um navio lotado zarpava. Eventualmente, uma tripulação de classes parecidas, com um perfil nutricional parecido antes do embarque, sob uma dieta e condições praticamente iguais a bordo, poderia começar a apresentar deficiências vitamínicas específicas aproximadamente ao mesmo tempo. Imagine o quanto isso poderia parecer uma infecção! Pode‐​se até imaginar uma rota de transmissão hipotética — e a imaginação humana cuida do resto. A intenção aqui é ressaltar que, objetivamente, não há nenhuma diferença entre a percepção do marinheiro de »pegar« escorbuto do seu colega e a sua própria percepção de »pegar« gripe, »covid«, ou qualquer outra coisa.

Sob o paradigma da teoria dos germes, estabeleceu‐​se uma disciplina [virologia] baseada em provar infecções com material biológico do qual tivessem sido removidos bactérias e parasitas maiores. Bailey observa que, no caso do primeiro suposto vírus a ser descoberto — o vírus do mosaico do tabaco —, o próprio »descobridor«, Dmitri Ivanovsky, notou as causas ambientais evidentes da doença — mas, mesmo assim, estava determinado a fazê‐​la se encaixar num modelo compatível com a teoria dos germes. Ele conseguiu isso excluindo qualquer comparação válida de controle em seus experimentos.44

Os experimentos que fundaram a virologia são caracterizados pela aplicação de quantidades anormais de material biológico, de maneiras que não imitam os supostos mecanismos naturais de transmissão e, em geral, são intrinsecamente suficientes para causar doença por si sós — e, é claro, por uma falta de experimentos de controle que mostrariam que esse é o caso. Na melhor hipótese, isso muitas vezes envolve injetar grandes quantidades de material supostamente viral nas narinas de animais cobaias. Graças ao caráter abstrato das técnicas de medição modernas, hoje muitas vezes isso é suficiente para fabricar uma »transmissão«, pois os »sintomas« mais triviais podem ser declarados significativos em conjunto com um teste positivo. Contudo, antes do advento dos testes PCR e de antígenos, cientistas intrépidos tentando »transmitir« uma doença muitas vezes tinham de recorrer a técnicas como injetar fluidos biológicos extraídos de indivíduos doentes diretamente no crânio ou na medula espinhal de cobaias — tudo isso para agentes que, supostamente, eram tão contagiosos que se transmitiam no ambiente pelo menor espirro, pela menor tosse, às vezes até pelo menor toque.

É importante lembrar mais uma vez que a combinação de grandes incentivos financeiros, prospecto de fama e falta de um método científico rigoroso (que inclua experimentos de controle) é uma fórmula perigosa, mesmo sem a presunção de nenhuma má intenção consciente. Apesar de estar fora do âmbito deste trabalho, vale a pena destacar que, no livro Virus Mania, há uma extensa compilação de evidências de que, na verdade, luminares como Louis Pasteur e Robert Koch realizaram ao menos alguns procedimentos fraudulentos deliberada e conscientemente.

Vamos ver um exemplo: um experimento‐​chave para estabelecer a teoria viral do sarampo, feito em 1911. Após tentar sem sucesso conjurar alguma transmissão de sarampo entre animais pequenos, John F. Anderson e Joseph Goldberger experimentaram com 9 macacos rhesus. Injetaram‐​lhes sangue desfibrinado de 4 pacientes humanos de sarampo e, então, 4 dos macacos desenvolveram »sintomas de sarampo« (febre e vermelhidão). Nenhum grupo de controle recebeu sangue de pacientes saudáveis (isto é, sem sarampo) e, é claro, esse método não tem nada a ver com o suposto mecanismo de transmissão do sarampo por meio de aerossóis.45

Outro »marco« da virologia foi o suposto êxito de Peyton Rous em documentar uma transmissão de sarcoma entre galinhas, por via não‐​celular. Vale a pena citar a extensa descrição de Mark Bailey:

»Sua metodologia envolvia moer um material canceroso das galinhas, filtrá‐​lo e injetá‐​lo diretamente em outras galinhas, observando que algumas delas também desenvolviam tumores. Ele relatou que os experimentos de »controle« consistiam em injetar material canceroso não‐​filtrado — o que geralmente resultava em tumores muito maiores. Rous postulou a presença de um organismo causador ultramicroscópico, mas admitiu que ’não está fora de questão algum outro tipo de agente‹. De fato, o experimento fracassou em fornecer qualquer evidência de uma partícula infecciosa e replicante. Ele só mostrou que um tecido doente, introduzido em outro animal por uma via antinatural e invasiva, podia fazê‐​lo exibir um processo patológico similar. A afirmação de que, em 1925, o patologista William Gye havia demonstrado que Rous tinha encontrado um vírus também é falsa. Ele apenas assertiu que havia um vírus operando nesses experimentos e afirmou conspicuamente: ›quero enfatizar um aspecto em particular da busca por vírus invisíveis: o teste em animais é a prova final da presença do organismo numa inoculação.‹ Lembrando: a ›prova final‹ não incluía a identificação real de um organismo infeccioso na inoculação — ela só demonstrava a formação de tumores após a injeção do tecido doente. Além disso, em 1927, foi demonstrado que o sarcoma dos galináceos podia ser induzido pela injeção de ácido arsênico diluído e polpa embrionária alheia. Os efeitos carcinogênicos também foram replicados após a filtragem bacteriológica equivalente àquela que Rous havia feito e foi mostrado que a doença se originava do tecido introduzido, não do hospedeiro. A hipótese viral deveria ter sido descartada ali mesmo, mas, meio século depois, o establishment a manteve viva, recompensando Rous com um Prêmio Nobel em 1966 por sua ›descoberta‹ de ›vírus causadores de tumores‹.

Em 1954, quando John Enders e Thomas Peebles afirmaram ter transmitido o vírus do sarampo em células renais de humanos e macacos, não se deveria ter continuado a tolerar os experimentos anticientíficos da virologia. Os autores adicionaram sangue e líquidos de lavagem de garganta a suas culturas de células e, ao observar efeitos citopáticos — células que morriam e eram destruídas em seus tubos de ensaio —, concluíram que os fenômenos observados in vitro ›poderiam estar associados ao vírus do sarampo.‹ Eles até admitiram que ›efeitos citopáticos que superficialmente lembram aqueles resultantes de infecção pelos agentes do sarampo poderiam ser induzidos por outros agentes virais presentes no tecido renal dos macacos, ou por outros fatores‹. Mas, em seguida, concluíram inadequadamente que ›este grupo de agentes é composto de representantes da espécie viral responsável pelo sarampo‹. Enders e Peebles não fizeram experimentos de controle para verificar se o próprio processo de cultura de células — isto é, o conjunto de procedimentos aos quais as células eram submetidas no tubo de ensaio — produziria os mesmos efeitos citopáticos, invalidando assim as evidências da sua conclusão. O ideal seria que vários experimentos de controle tivessem sido feitos: alguns sem a adição de amostras humanas, outros com amostras humanas de indivíduos saudáveis, outros ainda com amostras humanas de pacientes doentes, mas que não tivessem um diagnóstico clínico de sarampo ou alguma outra suposta doença ›viral‹.«46

Ou considere a poliomielite, cuja verdadeira causa será discutida mais adiante. Como apontam Engelbrecht et al., »uma pedra angular para a teoria viral da poliomielite foi colocada em 1908 pelos cientistas Karl Landsteiner e Erwin Popper«, cujos experimentos foram louvados pela OMS como »marcos na obliteração da pólio«. Eles pegaram

»um pedaço da medula espinhal de um paciente de 9 anos de idade, trituraram‐​no, dissolveram‐​no em água e injetaram um volume de uma ou duas xícaras disso dentro da cavidade peritoneal de dois macacos. Um morreu e o outro ficou permanentemente paralisado. Seus estudos estavam repletos de um grau inacreditável de problemas básicos. Primeiro, a »gosma« que eles despejaram dentro dos animais não era nem sequer infecciosa, tendo em vista que a paralisia não se manifestou nos macacos e porquinhos‐​da‐​índia que receberam oralmente essa suposta »sopa viral«, nem naqueles que a receberam injetada nas extremidades. 

Pouco depois, os pesquisadores Simon Flexner e Paul Lewis experimentaram com uma mistura parecida, injetando‑a nos cérebros de macacos. Em seguida, fizeram uma nova sopa com amostras dos cérebros desses macacos e, então, colocaram a mistura dentro da cabeça de outro macaco. Este realmente ficou doente. Em 1911, Flexner até se vangloriou num comunicado à imprensa de que eles já tinham descoberto como a pólio podia ser prevenida — acrescentando, é claro, que estavam próximos de desenvolver uma cura. 

Mas esse experimento não mostra nenhuma prova de uma infecção viral. A gosma utilizada não pode ser descrita como um vírus isolado, nem com toda a boa vontade do mundo. E ninguém podia ter visto nenhum vírus, já que o microscópio eletrônico só seria inventado em 1931. Além disso, os autores não divulgaram os ingredientes da mistura injetada. Em 1948, ainda não se sabia »como o vírus da pólio invade os seres humanos«, conforme afirmou o especialista John Paul, da Universidade de Yale, num congresso internacional de poliomielite em Nova York.

Além disso, é bem provável que a injeção de tecidos estranhos nos crânios dos macacos provocou neles os sintomas similares aos de poliomielite. E quando se leva em conta a quantidade de material injetado, dificilmente se pode surpreender com o fato de eles terem adoecido. Sequer foi feito um experimento de controle — isto é, eles não injetaram um tecido de uma medula espinhal saudável em outro grupo de macacos. Tampouco avaliaram os efeitos de toxinas químicas, como metais pesados, sendo injetadas diretamente no cérebro. Todos esses fatores, na prática, tornam os experimentos sem valor.«47

Por »coincidência«, o »Simon Flexner« desse estudo era ninguém menos que o notório Abraham Flexner, que supervisionou a imposição de uma abordagem alopática, baseada na teoria dos germes, na educação médica — primeiro nos Estados Unidos e depois na Europa, tudo com amplo financiamento e apoio das fundações Carnegie e Rockefeller. Quem quiser um exemplo marcante de como a virologia continua sendo cruel e anticientífica até hoje deveria ler a desconstrução que Bailey faz de um experimento moderno do »covid«, liderado pelo queridinho da mídia alemã, Christian Drosten.48

Dito isso, só cabem no âmbito deste trabalho uns poucos exemplos ilustrativos, na esperança de que os leitores vão começar a considerar o caráter profundamente anticientífico dessa »especialidade«. Àqueles que se interessarem por um relato mais completo se recomenda enfaticamente o livro Virus Mania [Engelbrecht et al.], bem como o artigo de Mark Bailey Um Adeus à Virologia.

Recapitulando: presumiu‐​se a existência de vírus em inúmeros casos onde não se podiam encontrar bactérias, fungos ou parasitas. »Estabeleceu‐​se« uma infecção — e assim a existência de um patógeno invisível (isto é, um vírus) — por meio de experimentos anticientíficos, que fracassaram tanto em replicar realisticamente supostos modelos de transmissão quanto em incorporar experimentos de controle significativos.

É claro que, com o desenvolvimento do microscópio eletrônico, ele precisava ser usado para finalmente revelar esses tais vírus (seguindo o modelo dos fungos e das bactérias, que podem ser identificados com um simples microscópio óptico). Porém, havia um problema: »sob certas condições, até mesmo células saudáveis produzem uma ampla gama de partículas que podem ser parecidas com os chamados vírus dos tumores (oncovírus).«49

Esse é um ponto fundamental: não havia e não há um mecanismo cientificamente estabelecido para estabelecer uma diferença entre partículas que são produzidas pelas células sob condições adversas (exossomos e/​ou vesículas extracelulares) dos supostos vírus. Com a invenção do microscópio eletrônico, patenteado na década de 1930, amostras cujo estado viral já tinha sido declarado pelos métodos duvidosos descritos anteriormente foram visualizadas e, então, partículas ali encontradas foram batizadas como este ou aquele vírus.50 Voilà!

Bailey cita um artigo publicado na revista Viruses em maio de 2020, que lamentava o fato de que »hoje em dia é uma missão quase impossível diferenciar as VEs [vesículas extracelulares] e os vírus através de métodos convencionais de isolamento de vesículas, como a ultracentrifugação diferencial, porque muitas vezes eles se misturam devido a suas dimensões similares.«51 Agora, com certeza a tecnologia não piorou e podemos presumir que a natureza dessas partículas também não mudou! Em vez disso, o que parece ser o caso é que, com o avanço da tecnologia, ficou mais difícil se safar com as afirmações injustificadas do passado. 

Seguindo os passos da microscopia eletrônica, surgiu a ciência das »culturas de vírus«. É importante entender que a virologia usa o termo »isolamento« de uma maneira totalmente desconectada do seu sentido comum ou leigo. Muitas pessoas já argumentaram que esse uso da palavra é tão distante do seu significado original que constitui por si só uma forma de fraude (intencional ou não).

Na virolíngua, »isolamento« geralmente significa a propagação de um vírus numa cultura de células »com sucesso«. Afinal — ou assim nos dizem —, os vírus por sua própria natureza precisam de uma célula na qual se reproduzir, então eles não podem ser realmente isolados intactos, no sentido normal da palavra. Sendo assim, os vírus precisam ser cultivados em células — que nunca são as células humanas que eles supostamente infectam na vida real —, com aditivos químicos específicos.

Porém, curiosamente, os virólogos parecem nunca se perguntar se, na verdade, essa poção complementar, que agride profundamente as células na cultura, não poderia ela mesma produzir os efeitos da suposta »cultura viral«. Como observa Bailey:

»As células renais de macacos (Vero E6) são as favoritas dos virólogos há muito tempo, supostamente devido à sua »adaptabilidade« para hospedar vários vírus — mas também, de forma suspeita, porque as células renais aneuploides são mais suscetíveis a agressões tóxicas de ingredientes adicionais, como os antibióticos e antifúngicos nefrotóxicos que sempre são adicionados à mistura do cultivo. Quando um grupo tentou cultivar o SARS‐​CoV‑2, não conseguiu os resultados desejados nem com células de adenocarcinoma humano (A549), nem com células hepáticas humanas (HUH7.0), nem com células renais embrionárias humanas (HEK‐​293T), nem com uma grande linha de células renais de morcegos‐​pardos (EFK3B). Mas mesmo assim, eles declararam possuir um »isolado viral« após a observação de efeitos citopáticos nas células Vero E6. Como de costume, aparentemente não houve nenhum senso de ironia, para eles, no fato de que o suposto vírus respiratório humano não se mostrou capaz de infectar nem o tipo de células pertinente, que dirá a espécie pertinente. E seus experimentos foram invalidados, mais uma vez, pela ausência de culturas de controle adequadas.«52

Conforme Engelbrecht et al. também apontam, Barbara McClintock, ganhadora do Prêmio Nobel, descobriu que »o material genético dos seres vivos pode mudar constantemente«, por meio de »choques«, que »podem ser toxinas« ou proceder de »outros materiais que provocaram agressão no tubo de ensaio. Isso, por sua vez, pode levar à formação de novas sequências genéticas.«53

O biólogo Dr. Stefan Lanka promove uma hipótese profundamente antimaterialista e idealista para explicar as doenças, fundada ao menos em parte na »Nova Medicina Germânica« do antissemita Ryke Geerd Hamer. Porém, ele afirma ter realizado experimentos muito importantes, que precisam ser imediatamente examinados e reproduzidos54 por qualquer defensor honesto da virologia. Se seus resultados forem verdadeiros, confirmam em larga escala as suspeitas dos críticos da virologia. Basicamente, Lanka se propôs a realizar os experimentos de controle que sempre faltam nos estudos virológicos. O que ele observou foi que os efeitos citopáticos — que se diz serem provas da destruição provocada por vírus — também podem ser induzidos em culturas de células somente pelo próprio procedimento laboratorial — isto é, sem a presença do suposto vírus.55

Engelbrecht et al. mostram que até mesmo a microscopia eletrônica — um meio tão flexível de se »encontrar« vírus para atender às exigências de uma teoria — no fim se tornou um entrave grande demais para uma virologia que se expandia agressivamente, determinada a achar uma causa »viral« para o câncer e muito mais. Dessa forma, meios cada vez mais indiretos e indeterminados para identificar vírus faziam‐​se necessários. Por exemplo, o método de coloração na microscopia eletrônica foi elaborado para superar a laboriosa e demorada técnica de lâminas delgadas que se usava antes. Eles observam:

»No processo de secagem necessário para a coloração, as partículas ficavam totalmente deformadas, de forma que apareciam com longas »caudas«. Eram produtos completamente artificiais de laboratório, de aparência exatamente igual a tantos outros componentes celulares não‐​virais. […] Alguns cientistas, de fato, admitiram que o método de coloração era duvidoso. Mas em vez de reconhecer a derrota e voltar para o método de lâminas delgadas, eles começaram a culpar a tecnologia de microscopia eletrônica! Outros pesquisadores, por sua vez, estavam tão ansiosos para finalmente encontrar vírus cancerígenos que, casualmente, passaram por cima da invalidez dos resultados obtidos por coloração, teorizando que as partículas deformadas eram um certo tipo de vírus.«56

Uma inovação ainda mais significativa para o »avanço« da virologia foi a descoberta da transcriptase reversa — uma enzima capaz de converter RNA (hélice única) em cDNA (dupla hélice) — por Howard Temin e David Baltimore. Isso proporcionou finalmente uma explicação [sic] para os supostos vírus descobertos [sic] previamente que pareciam conter somente RNA, sem nenhum DNA — ou seja, que aparentemente não tinham a capacidade de se replicar. Como Engelbrecht et al. observam:

»Houve uma euforia tão grande com a descoberta da transcriptase reversa que os caçadores de vírus rapidamente presumiram que essa enzima era típica dos retrovírus. Eles proclamaram algo mais ou menos assim: se observamos atividade transcriptora reversa em nossos tubos de ensaio (in vitro), então podemos ter certeza de que um retrovírus também está presente (ainda que a existência do vírus nunca tenha sido provada, nem o papel da transcriptase reversa estabelecido, por exemplo, no contexto do HIV). Ainda assim, presumiu‐​se que a presença (detectada indiretamente) da transcriptase reversa era suficiente para provar a existência de um retrovírus e até mesmo uma infecção viral das células testadas in vitro.«57

Foi essa »lógica« que permitiu a Luc Montaigner anunciar em 1983 a »descoberta« de um »vírus« que mais tarde se tornaria conhecido como HIV: baseando‐​se na observação de atividade transcriptora reversa numa cultura de células. Isso apesar de, dez anos antes, os próprios Temin e Baltimore terem declarado que »transcrição reversa é uma propriedade inerente a todas as células e não se limita aos retrovírus«!58

Vamos voltar ao HIV e à AIDS na Parte 4. Agora, é necessário observar que a própria transcriptase reversa foi eclipsada por novos marcadores indiretos, como testes de anticorpos, testes PCR de »carga viral« e contagens de linfócitos T auxiliares. Essas tendências provocaram certa resistência dentro da própria comunidade científica, motivando 14 virólogos renomados da »velha guarda« a fazer um apelo, publicado na revista Science em 2001, à nova geração de pesquisadores focados em alta tecnologia:

»Métodos modernos como o PCR, com o qual se detectam e multiplicam pequenas sequências genéticas, são maravilhosos mas dizem pouco ou nada sobre como um vírus se multiplica, que animais o portam, como ele deixa as pessoas doentes. É como tentar dizer se uma pessoa tem mau hálito olhando suas impressões digitais.«59

Basta dizer que esse aviso não foi levado em conta. Hoje em dia, predominam métodos altamente abstratos e tecnológicos. Isso não só na virologia, é claro. Como Richard Levins argumentou:

»O resultado […] é o paradoxo de termos cada vez mais racionalidade num nível pequeno, de laboratório, um conhecimento cada vez mais refinado dos detalhes e, ao mesmo tempo, irracionalidade no empreendimento científico como um todo, o que lhe permite ser tragado por todo tipo de atividade destrutiva, autolimitante e antiética.«60

Kary Mullis ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1993 pela criação da tecnologia na qual os testes PCR se baseiam. Ele criticou duramente o mau uso da tecnologia pelos virólogos, observando:

»Eu não acho que se pode abusar do PCR. [São] os resultados, a interpretação. Se eles conseguem encontrar tal vírus em você — e com o PCR, se você souber fazer, pode encontrar praticamente qualquer coisa em qualquer um. Ele começa a te fazer acreditar naquele conceito budista de que tudo está contido em tudo. Se você conseguir amplificar uma única molécula até algo que você realmente possa medir — e o PCR consegue —, aí só haverá muito poucas moléculas das quais você não tenha pelo menos uma no seu corpo. Isso é o que poderia ser considerado um abuso: afirmar que ele significa alguma coisa. Ele te mostra algo sobre a natureza e o que tem ali. Procurar uma única coisa, atribuindo a ela um significado especial, é o que eu considero o problema. A medição disso não será exata, não é como contar uma quantidade de maçãs. Os testes se baseiam em coisas que são invisíveis e os resultados são inferidos, de certa forma. Ele te permite pegar uma quantidade minúscula de qualquer coisa, torná‐​la mensurável e, então, discuti‐​la. O PCR é só um processo que te permite fabricar uma grande quantidade de algo a partir de algo. Ele não vai dizer se você está doente, ou se aquilo que foi encontrado em você vai te fazer mal, nem nada disso.«61

Mullis reiterou: »o teste PCR não te diz se você está doente. Esses testes não podem, de forma alguma, detectar vírus infecciosos livres.«62

Tal como o apelo da »velha guarda«, as críticas de Mullis também não foram ouvidas. Na verdade, a virologia continuou a abusar da tecnologia de maneiras cada vez mais fantásticas. De particular importância para a virologia moderna é uma técnica conhecida como »sequenciamento de espingarda« (shotgun sequencing) de amostras brutas. Esse método usa certas templates genômicas baseadas nas fraudes virais fundamentais discutidas anteriormente. Essas templates são utilizadas para analisar algoritmicamente pilhas de material genético e construir infinitamente novas árvores genealógicas de vírus.

Em resumo, a disciplina da virologia se tornou completamente desconectada de qualquer realidade material biológica. Para uma descrição detalhada e ilustrativa desse fenômeno no caso do »vírus SARS‐​CoV‑2«, recomenda‐​se a leitura de Um Adeus à Virologia, de Mark Bailey.

O que vale a pena reiterar brevemente aqui é a abordagem acrítica e anticientífica que prevalece na virologia — sobretudo a falta de experimentos de controle, bem como a profunda relutância a sequer contemplar a possibilidade de que informações oriundas de qualquer uma das áreas altamente ramificadas e segregadas da ciência moderna sejam falsas, ou cheias de falhas sérias.

Métodos epidemiológicos populares como o clustering, por exemplo, podem facilmente criar uma »epidemia« onde não há: procurando numa região específica indivíduos com certos sintomas — ou melhor, resultados positivos num teste indeterminado —, pode‐​se declarar um contágio, quando a verdadeira causa é algum fator social ou ambiental (seja diretamente, seja tornando as pessoas vulneráveis a um micróbio que seria inofensivo de outra forma), ou mesmo pura coincidência. O clustering fabricou facilmente »epidemias« de escorbuto, beri‐​béri e pelagra.63 Até o New York Times, um devoto tão fervoroso do complexo MACIM, cobriu em 2006 um suposto surto de coqueluche em Dartmouth‐​Hitchcock que, mais tarde, admitiu ter sido baseado apenas em »falsos positivos« de testes PCR.64

Além disso, é preciso destacar a criatividade infinita dos virólogos para salvar suas teses centrais em face de evidências contrárias. De fato, eles agem muito mais como teólogos escolásticos do que como o ideal iluminista de um cientista.

Por exemplo, Engelbrecht et al. observam como a teoria do »vírus dormente« ganhou enorme popularidade nos anos 1960, quando se disseminou a ideia de que os micróbios culpados podiam ficar dormentes numa célula por anos a fio antes de se manifestar, ou até de causar câncer. Quando, após muito procurar, não se encontrou nenhum vírus em tumores, desenvolveu‐​se outra teoria: »um vírus poderia provocar uma infecção, em seguida hibernar numa célula pelo tempo que quisesse — e finalmente, em algum momento causar câncer, até mesmo quando o vírus já não estivesse presente.«65 Eles apontam ainda: 

»Da mesma forma que antes com a poliomielite, o genoma dos chamados »vírus dormentes« nunca foi isolado e as partículas que se diz serem vírus nunca foram visualizadas num microscópio eletrônico. Mas os caçadores de vírus abraçaram essa teoria suspeita adaptando‑a a inúmeras enfermidades modernas.«66

Essas contorções mentais não surpreendem ninguém que tenha acompanhado de perto os virólogos ao longo dos últimos três anos. O que talvez chama mais atenção é a forma como tais teorias absurdamente sutis são sempre atreladas às práticas mais brutas e vulgares — bem como aos preconceitos mais reacionários — para promovê‐las.

Vamos ver, por exemplo, as explorações de Carleton Gajdusek para estabelecer sua teoria dos »proto‐​príons« para a doença neurodegenerativa kuru, da Papua Nova Guiné, que ele afirmava ser transmitida através da suposta prática dos nativos (quase com certeza apócrifa) de comer os cérebros dos mortos:

»Um exame detalhado dos experimentos de Gajdusek em chimpanzés, com os quais ele pretendia mostrar a transmissibilidade, deveria ter chocado a comunidade científica à incredulidade. Mas em vez disso, eles reconheceram esses trabalhos como prova de transmissibilidade, ignorando o fato de que nem o procedimento de alimentar os animais com a papa cerebral, nem o de injetá‐​la neles surtiram qualquer efeito.

Então, Gajdusek realizou um experimento bizarro para finalmente induzir sintomas neurológicos em suas cobaias. Ele moeu o cérebro de um paciente de kuru, transformou‑o numa papa cheia de proteínas e inúmeras outras substâncias, e a despejou nos chimpanzés vivos abrindo orifícios nos seus crânios. A suposta »transmissibilidade« da doença só foi encontrada neste experimento! Como isso poderia constituir uma prova da hipótese canibalística de Gajdusek? Sobretudo levando em conta que a hipótese propõe o surgimento da doença em seres humanos pela ingestão de cérebros infectados — não por inserção cirúrgica direta no cérebro.

Para complicar ainda mais, Gajdusek era a única testemunha viva de canibalismo na Papua Nova Guiné. Ele relatou esses rituais canibalísticos em sua palestra de 1976 que ganhou o Prêmio Nobel, mostrando até fotografias do evento. Porém, em meados dos anos 1980, foi descoberto que essas fotos mostravam carne de porco, não humana. Uma equipe de antropólogos investigou a questão e encontrou relatos de canibalismo, mas nenhum caso autêntico.

Posteriormente, Gajdusek teve de admitir que nem ele, nem ninguém que ele conheceu tinha visto os rituais canibalísticos. Roland Scholz, professor de bioquímica e biologia celular, respondeu a essa revelação dizendo: ›parece que a comunidade científica foi ludibriada por um mito‹.«67

As evidências em prol da virologia são fracas, tanto em seus próprios termos quanto em seus fundamentos históricos duvidosos. Isso tem sido mascarado por meio de um edifício técnico complexo e intimidante. Contudo — como enfatizamos na Parte 1 — nem a escala, nem a complexidade, nem a aparente consistência interna de um sistema de crenças são bons motivos para presumir que ele seja verdadeiro.

Ainda assim, os leitores céticos poderiam insistir que existem doenças que a virologia ajudou a tratar e que, certamente, isso seria incompatível com a falsidade de sua doutrina central. Então, vamos dar uma olhada em alguns casos ilustrativos de doenças supostamente virais para as quais há explicações alternativas muito mais convincentes. Da mesma forma como antes, vamos citar aqui só uns poucos exemplos, na esperança de que os leitores consultem os relatos muito mais completos em Virus Mania e no restante da literatura.

3.4. Alternativas

Um dos argumentos mais convincentes de Engelbrecht et al. é o de uma explicação multicausal para a poliomielite, sendo o envenenamento por diversos pesticidas (DDT, arsenato de chumbo) o principal fator em seu surgimento e sua persistência. Eles mostram não só que a taxa de mortalidade por pólio já havia declinado 47% nos EUA e 55% na Inglaterra antes da introdução da vacina Salk, mas também que existe uma correlação notável entre a incidência de pólio e o uso contínuo de pesticidas.68

Legenda: A observação das estatísticas mostra que a epidemia de poliomielite nos Estados Unidos da América atingiu seu auge em 1952 e, dali em diante, declinou rapidamente. Vimos que esse declínio não pode ser explicado pela inoculação [vacina] Salk, já que esta foi introduzida pela primeira vez em 1955. Existe um paralelo marcante entre o desenvolvimento de poliomielite e a utilização da severa neurotoxina DDT e de outros pesticidas altamente tóxicos.

O que é particularmente interessante sobre a poliomielite é que também há indícios convincentes de uma operação coordenada de hangout limitado. Engelbrecht et al. destacam o fato de que o livro Primavera Silenciosa (Silent Spring, 1962), de Rachel Carson, célebre por chamar à atenção do público os efeitos ambientais adversos do DDT, enfocava os danos aos animais, visivelmente evitando dar ênfase a estudos que sugeriam em larga medida o DDT como uma causa de pólio. O livro foi financiado pela Fundação Rockefeller. Apesar de ele ter

»contribuído à proibição final do DDT […], foi uma vitória enganosa, que apenas ajudou a assegurar a crença do público de que os mecanismos democráticos de regulação ainda funcionavam efetivamente. Na realidade, como o público pensou que o demônio venenoso tinha então sido derrotado, a indústria química conseguiu estabelecer no mercado sem nenhum problema o éster fosfato, também altamente tóxico. E, fatalmente, ninguém discutiu o importante tópico central: que venenos como o DDT podiam causar sequelas graves, como poliomielite.«69

Ou considere a encefalopatia espongiforme bovina (EEB) [mais conhecida como »doença da vaca louca«], supostamente causada por príons que podem ser transmitidos aos seres humanos e provocar a doença de Creutzfeldt‐​Jakob (DCJ).

Nos anos 1960, a encefalopatia foi reconhecida em ovinos como uma doença genética, que podia ser eliminada com protocolos reprodutivos adequados.70 Porém — como apontam Engelbrecht et al. —, com o desenvolvimento da criação de gado moderna, de alto desempenho, »a maioria das vacas descende de apenas alguns bois, que muitas vezes são aparentados uns com os outros.«71 Roland Scholz observou: »um único boi, num instituto de inseminação de determinada região, pode ser o pai e ao mesmo tempo o avô de várias boiadas num distrito.«72

Ainda assim, quando ocorreu um surto de EEB e DCJ no Reino Unido, ao invés de explorar essa óbvia causa potencial de encefalopatia no gado, os caçadores de micróbios declararam que a EEB era causada pelas vacas consumindo carne e tutano contaminado por príons — e que a causa da DCJ era o consumo da carne dessas vacas por seres humanos. Isso apesar de que os casos de DCJ foram observados no norte da Escócia, enquanto o gado com EEB foi encontrado no sul da Inglaterra. A teoria de que a carne dos animais com EEB provocava DCJ só faria sentido se a carne produzida no sul da Inglaterra fosse consumida só na Escócia.73

O que não foi amplamente reconhecido foi que, em 1985, foi aprovada uma lei que obrigava os criadores de gado britânicos a aplicar no pescoço dos animais o fosmeto, um inseticida altamente tóxico. Quase todos os casos de EEB ocorreram na Irlanda e na Suíça — os únicos outros países onde o fosmeto era utilizado nas mesmas concentrações altas. Pelo menos um produtor orgânico que não aplicou o fosmeto não encontrou EEB, apesar de que, se a doença fosse transmitida por príons, a alimentação do seu gado deveria tê‐​la transmitido. O governo britânico revogou a lei no início da década de 1990 e a comissão de inquérito até admitiu que o fosmeto era um »cofator« no desenvolvimento da EEB. Pesquisas privadas corroboraram esa relação, mas as autoridades não continuaram a investigá‐​la.74

Não existem experimentos que provem a transmissão de EEB por príons, certamente não pelo mecanismo de transmissão geralmente presumido (consumo de tecidos cerebrais infectados). Duas hipóteses alternativas — seja isoladas ou em conjunto — explicam de forma muito mais convincente os fenômenos de EEB observados: práticas comerciais de acasalamento que, inadvertidamente, aumentam o risco de EEB em busca de outras características mais rentáveis (por exemplo, aumento da produção leiteira); ou envenenamento por exposição a toxinas como o fosmeto.75 O mais provável é que as práticas de acasalamento acima descritas geraram uma grande população de gado suscetível, altamente vulnerável ao fosmeto. Ainda assim, a teoria microbiana prevaleceu.

O caráter não‐​contagioso da influenza [gripe] é um fato bem estabelecido, que é claramente conhecido pelo menos nos altos escalões do aparato estadunidense de inteligência militar. Com efeito, Arthur Firstenberg compilou evidências convincentes mostrando que, em vez de ser algo do que as evidências científicas modernas nos livraram,

»a influenza, em sua forma atual, foi inventada em 1889, junto com a corrente alternada. Está sempre conosco, como uma visita familiar — tão familiar que esquecemos que nem sempre foi assim. Muitos médicos que foram recebidos por uma avalanche da doença em 1889 nunca tinham visto um caso antes.«76

De acordo com Firstenberg:

»Súbita e inexplicavelmente, a influenza, cujas descrições haviam permanecido consistentes por milhares de anos, mudou de caráter em 1889. A última vez que a gripe havia tomado conta da maior parte da Inglaterra tinha sido em 1847, mais de meio século antes. A última epidemia de gripe nos EUA havia sido no inverno de 1874 – 75.

Desde tempos antigos, a influenza era conhecida como uma doença caprichosa, imprevisível, um animal selvagem que surgia do nada, aterrorizava populações inteiras de uma vez, sem aviso e sem periodicidade, e desaparecia tão súbita e misteriosamente como havia aparecido, para não ser vista de novo por anos ou décadas. Não se comportava como nenhuma outra doença, não era considerada contagiosa, e recebeu esse nome porque se dizia que suas idas e vindas eram governadas pela ›influência‹ dos astros.«77

Mortes por influenza [gripe] por milhão de pessoas na Inglaterra e no País de Gales de 1850 a 1940 (Firstenberg, The Invisible Rainbow, p. 81)

Firstenberg não apenas prova, por meio de um extenso conjunto de evidências, que o padrão sazonal moderno da influenza surgiu com a eletrificação global; mostra também que as pandemias de influenza nos últimos três séculos eram mais frequentes durante picos de atividade solar. Durante o Mínimo de Maunder, de 1645 a 1715, período em que as manchas solares eram excepcionalmente raras, nenhuma pandemia de gripe foi relatada.78 Naturalmente, toda a noção de que a influenza é contagiosa não se encaixa de forma alguma nos verdadeiros padrões da doença. Neste ponto, vale a pena citar Firstenberg mais extensamente:

»Se a influenza é antes de tudo uma doença elétrica, uma resposta a uma perturbação elétrica da atmosfera, então não é contagiosa no sentido habitual. Os padrões de suas epidemias devem prová‐​lo – e provam. Por exemplo, a pandemia mortal de 1889 começou em várias partes do mundo muito distantes umas das outras. Por exemplo, em maio daquele ano, surtos graves foram relatados ao mesmo tempo em Bukhara (Uzbequistão), na Groenlândia e no norte de Alberta (Canadá). Em julho, foi noticiada gripe na Filadélfia (EUA) e em Hillston (uma cidade remota na Austrália); em agosto, nos Bálcãs. Como esse padrão contradizia as teorias prevalecentes, muitos historiadores fingiram que a pandemia de 1889 não começou »de verdade« até tomar conta das estepes da Sibéria Ocidental, no final de setembro, e que a partir de então se alastrou uniformemente dali para o resto do mundo, de pessoa a pessoa, por contágio. Mas o problema é que, ainda assim, a doença precisaria ter viajado mais depressa que os trens e navios da época. Ela chegou a Moscou e São Petersburgo durante a terceira ou quarta semana de outubro, mas, a essa altura, já tinha sido noticiada influenza em Durban (África do Sul) e Edimburgo (Escócia). Nova Brunswick (Canadá), Cairo, Paris, Berlim e a Jamaica estavam noticiando epidemias em novembro; Londres e Ontário (Canadá), em 4 de dezembro; Estocolmo, em 9 de dezembro; Nova Iorque, em 11 de dezembro; Roma, em 12 de dezembro, Madri, em 13 de dezembro e Belgrado, em 15 de dezembro. A influenza atacou explosiva e imprevisivelmente, em ondas, várias vezes, até inícios de 1894. […]

A influenza faz seus caprichos não só na terra, mas também no mar. Com a rapidez das viagens hoje em dia, isso já não é tão óbvio, mas, em séculos passados, quando marinheiros eram atacados pela influenza [somente] semanas ou meses depois de haver deixado o último porto, era algo a ser lembrado. Em 1894, Charles Creighton descreveu 15 casos históricos separados em que um navio inteiro, ou até vários navios numa frota, foram tomados pela doença em alto‐​mar, longe da terra, como se tivessem navegado por uma neblina de influenza, apenas para chegar ao próximo porto e descobrir que, em alguns casos, já havia ocorrido um surto de influenza em terra ao mesmo tempo. Creighton incluiu um relato da pandemia de sua própria época: o navio mercante »Wellington« havia zarpado de Londres com sua pequena tripulação em 19 de dezembro de 1891, com destino a Lyttleton, na Nova Zelândia. No dia 26 de março, após quase três meses no mar, o capitão foi subitamente acometido de uma febre intensa. Na chegada a Lyttleton, no dia 2 de abril, »o piloto, subindo a bordo, encontrou o capitão acamado e, ao ser informado dos sintomas, disse imediatamente: «é a influenza, eu mesmo acabei de tê‐​la.»« Outro relato, de 1857, era tão convincente que William Beveridge o incluiu em seu manual da influenza de 1975: »O navio de guerra inglês «Arachne» se encontrava em distância de cruzeiro do litoral de Cuba, «sem nenhum contato com a terra». De uma tripulação de 149 homens, nada menos que 114 adoeceram de influenza e, só depois, descobriu‐​se que haviam ocorrido surtos em Cuba ao mesmo tempo.« […]

A distribuição etária também não se explica por contágio. Em outros tipos de doenças infecciosas [sic], como sarampo e caxumba, quanto mais agressiva uma variante de um vírus [sic] e quanto mais depressa se propaga, mais rápido os adultos adquirem imunidade — e mais jovem a população que contrai a doença a cada ano. Segundo [o epidemiologista Robert Edgar] Hope‐​Simpson, isso significa que, entre uma pandemia e outra, a influenza deveria estar atacando sobretudo crianças bem pequenas. Porém, a influenza continua teimando em atacar adultos — em média, quase sempre entre 20 e 40 anos de idade, seja durante uma pandemia ou não. O ano de 1889 não foi diferente: a influenza ceifou em primeiro lugar adultos jovens e vigorosos na flor da idade, como se estivesse escolhendo maliciosamente os mais fortes da espécie em vez dos mais fracos. […]

Se uma epidemia ataca e você termina com a mesma doença que todo mundo, mas um vírus da influenza não pode ser isolado da sua garganta e você não desenvolve anticorpos, diz‐​se que você não tem influenza. Mas o fato é que, embora os vírus da influenza estejam de certa forma associados a epidemias de doenças, nunca foi mostrado que eles as causam.

17 anos de monitoramento por Hope‐​Simpson na comunidade de Cirencester (Inglaterra) e região revelaram que, ao contrário da crença popular, a influenza não se transmite facilmente de pessoa a pessoa numa casa. Em 70% dos casos, inclusive durante a pandemia da »gripe de Hong Kong«, em 1968, apenas uma pessoa numa casa ficava gripada. Quando uma segunda pessoa contraía gripe, muitas vezes ambas adoeciam no mesmo dia, o que significa que elas não haviam pegado a doença uma da outra. Às vezes, variantes diferentes do vírus [sic] circulavam no mesmo povoado, ou até na mesma casa — certa vez, dois irmãos pequenos que dormiam na mesma cama tiveram variantes diferentes, provando que não podiam tê‐​las contraído um do outro, nem sequer da mesma terceira pessoa. William S. Jordan, em 1958, e P. G. Mann, em 1981, chegaram a conclusões similares a respeito da falta de transmissão entre os membros de uma mesma família. […] 

O segredo constrangedor entre os virólogos é que, desde 1933 até hoje, não houve estudos experimentais provando que a influenza — seja o vírus ou a doença — alguma vez tenha sido transmitida de pessoa a pessoa por contato normal.79

Na verdade, como mostra Firstenberg, no caso da influenza os experimentos que mostrariam uma infecção foram feitos. Além disso, existe um amplo conjunto de evidências das verdadeiras causas:

A entrada dos EUA na Grande Guerra [Primeira Guerra Mundial], em 6 de abril de 1917, estimulou uma expansão das transmissões de rádio tão súbita e veloz quando a expansão da eletricidade em 1889. […]

Quando os Estados Unidos entraram na guerra, o terreno mudou apressadamente. A Marinha dos EUA já possuía um transmissor gigante em Arlington (Virgínia) e outro em Darien, na zona do Canal. Um terceiro, em San Diego, começou a transmitir em maio de 1917; um quarto, na base de Pearl Harbor, em 1o de outubro daquele ano, e um quinto, em Cavite (Filipinas), em 19 de dezembro. A Marinha também assumiu o controle e incrementou estações privadas e estrangeiras em Lents (Oregon), San Francisco e Bolinas (Califórnia), Kahuku e Heeia Point (Havaí), Sayville (Long Island), Tuckerton e Nova Brunswick (Nova Jérsei). No final de 1917, 13 estações estadunidenses transmitiam mensagens ao longo de dois oceanos. 50 outras estações de rádio de média e alta potência circundavam os EUA e suas colônias para comunicações com navios. Para equipar seus navios, a Marinha fabricou e ativou mais de 10 mil transmissores de baixa, média e alta potência. No início de 1918, a Marinha estava formando mais de 400 alunos por semana em seus cursos de operador de rádio. No decorrer de apenas um ano, entre 6 de abril de 1917 e inícios de 1918, a Marinha doa EUA havia construído e operava a maior rede de comunicações de rádio do mundo. […]

Em julho de 1918, outro arco de 200 kW foi acrescentado ao sistema cujo controle a Marinha havia assumido em Sayville. Em setembro de 1918, um arco de 500 kW foi ao ar numa nova estação naval em Annapolis (Maryland). Nesse meio tempo, a Marinha havia adquirido um segundo alternador, mais potente, para a estação de Nova Brunswick, com capacidade de 200 kW. Instalado em junho, também entrou no ar em tempo integral em setembro. Imediatamente, Nova Brunswick se tornou a estação mais potente do mundo, suplantando a principal estação alemã em Nauen, e foi a primeira a transmitir tanto mensagens de voz quanto telegráficas de um lado a outro do Atlântico de forma clara, contínua e confiável. Seu sinal podia ser ouvido em grande parte da Terra. A doença que recebeu o nome de »gripe espanhola« nasceu durante esses meses. Ela não se originou na Espanha. Mas matou dezenas de milhões de pessoas ao redor do mundo, tornando‐​se repentinamente mais fatal em setembro de 1918. Segundo algumas estimativas, a pandemia atacou mais de meio bilhão de pessoas, um terço da população mundial à época. Nem a Peste Negra do século 14 matou tanta gente num período tão curto. Não surpreende que todo mundo tenha pavor do seu retorno. […]

Mas não há evidências de que a doença de 1918 fosse contagiosa.

Aparentemente, a »gripe espanhola« se originou nos Estados Unidos a inícios de 1918 e se alastrou pelo mundo em navios da Marinha, surgindo primeiramente a bordo desses navios, em portos e estações navais. O maior surto inicial, vitimando cerca de 400 pessoas, ocorreu em fevereiro, na Escola Naval de Rádio de Cambridge (Massachussetts). Em março, a influenza se alastrou por acampamentos do exército onde o Comando de Comunicações estava sendo treinado no uso de comunicações sem fio: 1.127 homens contraíram influenza no acampamento Fuston, no Kansas, e 2.900 nos acampamentos Oglethorpe, na Geórgia. Em fins de março e em abril, a doença se disseminou entre a população civil e pelo mundo. A princípio leve, a epidemia explodiu em mortalidade em setembro, no mundo inteiro de uma vez só. Ondas de mortes percorriam o oceano global da humanidade com uma rapidez desconcertante, várias vezes, até finalmente exaurir as forças três anos mais tarde. Muitas vezes, as vítimas adoeciam repetidamente por meses seguidos. Uma das coisas que mais intrigavam os médicos era o sangramento intenso. 10 – 15% dos pacientes de gripe examinados em consultórios particulares e até 40% dos pacientes na Marinha sofriam de sangramentos nasais, que os médicos às vezes descreviam como »jorrando« das narinas. Outros sangravam nas gengivas, nos ouvidos, na pele, no estômago, nos intestinos, no útero, nos rins, sendo a hemorragia pulmonar o caminho mais comum e rápido para a morte: as vítimas se afogavam no próprio sangue. As autópsias revelavam que até um terço das fatalidades também tinha hemorragias no cérebro; ocasionalmente, um paciente parecia estar se recuperando de sintomas respiratórios apenas para morrer de hemorragia cerebral. […]

Isso não condiz com nenhum vírus respiratório, e sim com o que se conhece sobre a eletricidade desde que Gerhard80 fez seu primeiro experimento com sangue humano em 1779. É consistente com o que se sabe sobre os efeitos de ondas de rádio na coagulação sanguínea. Erskine e Knight81 salvaram seus pacientes não combatendo uma infecção, e sim dando‐​lhes grandes doses de lactato de cálcio para ajudar na coagulação. Outro fato desconcertante, que não faria sentido se essa pandemia fosse contagiosa, mas que faz todo o sentido se foi causada por ondas de rádio, é que, em vez de vitimar os velhos e doentes como a maioria das doenças, esta matou sobretudo jovens saudáveis, vigorosos, entre 18 e 40 anos – exatamente como a pandemia anterior havia feito, com um pouco menos veemência, em 1889. […] 

Apesar da presunção geral de que essa doença era contagiosa, máscaras, quarentenas e isolamento não surtiram nenhum efeito. Até num país isolado como a Islândia, a gripe se alastrou universalmente, apesar de as vítimas serem colocadas em quarentena. A doença parecia se propagar com uma rapidez impossível. »Não há nenhuma razão para supor que ela viajava mais rápido do que as pessoas eram capazes de viajar, [mas] ela parecia fazê‐​lo«, relatou o Dr. George A. Soper, major do Exército dos EUA.«82

Mas o mais revelador de tudo foram as várias tentativas heróicas de provar o caráter infeccioso dessa doença usando voluntários. Todas essas tentativas, realizadas em novembro e dezembro de 1918 e fevereiro e março de 1919, falharam. Uma equipe médica em Boston, trabalhando para o Serviço de Saúde Pública dos EUA, tentou infectar 100 voluntários saudáveis entre 18 e 25 anos de idade. Seus esforços foram impressionantes — e rendem uma leitura divertida:

»Coletamos o material e as secreções mucosas da boca, do nariz, da garganta e dos brônquios de pacientes com a doença e os transferimos a nossos voluntários. Sempre obtivemos esse material da mesma maneira. O paciente febril, acamado, tinha uma bandeja grande e rasa colocada à sua frente; lavávamos uma narina com algumas soluções salinas estéreis, usando aproximadamente 5 cm³, que se deixavam escorrer pela bandeja e, então, o paciente assoava a narina vigorosamente na bandeja. Repetia‐​se o processo com a outra narina. Em seguida, o paciente gargarejava um pouco com a solução. Então, coletávamos um pouco de muco bronquial por meio da tosse e, por fim, passávamos um cotonete pela superície mucosa de cada narina e da garganta. […] Cada um dos voluntários […] recebia 6 cm³ dessa mistura que descrevi. Receberam‐​na dentro de cada narina, na garganta e nos olhos — e quando você considera o volume total de seis centímetros cúbicos, você entende que uma parte disso também foi engolida. Nenhum deles ficou doente.

Em outro experimento, com novos voluntários e doadores, eliminou‐​se a solução salina e o material foi transferido diretamente, com cotonetes, de nariz a nariz e de garganta a garganta, utilizando doadores no primeiro, segundo ou terceiro dia da doença:

›Nenhum destes voluntários, que receberam o material transferido dos pacientes dessa forma direta, ficou doente de nenhuma maneira. […] Todos os voluntários receberam pelo menos duas, alguns até três ›doses‹, como eles as chamavam.‹

Noutro experimento ainda, 20 cm³ de sangue de cada um dos cinco pacientes doadores foram misturados e injetados em cada voluntário:

›Nenhum deles ficou doente de nenhuma maneira. Então, coletamos uma grande quantidade de material mucoso das vias respiratórias superiores e o filtramos com filtros Mandler. Esse filtrado foi injetado em 10 voluntários, cada um recebendo 3,5 cm³ por via subcutânea, e nenhum deles ficou doente de nenhuma maneira.‹

Então, fez‐​se uma nova tentativa de transmitir a doença »da forma natural«, usando novos voluntários e doadores:

›O voluntário era levado à beira do leito do paciente e apresentado a ele. Então ele se sentava à beira do leito. Os dois apertavam as mãos e, seguindo as instruções, o voluntário chegava o mais perto possível e eles conversavam durante 5 minutos. Transcorridos os 5 minutos, o paciente exalava com a maior força que podia, enquanto o voluntário, cara a cara com o paciente (segundo as instruções, a aproximadamente 5 centímetros um do outro), recebia esse hálito e inalava ao mesmo tempo que o paciente exalava […]. Após fazer isso 5 vezes, o paciente tossia diretamente no rosto do voluntário, cara a cara, 5 vezes. […] [Então] o voluntário passava para o próximo paciente que havíamos selecionado, repetia o procedimento, e assim por diante até que o mesmo voluntário houvesse tido esse tipo de contato com 10 casos diferentes de influenza, em estágios diferentes da doença, a maioria casos recentes, nenhum deles com mais de 3 dias. […] Nenhum deles ficou doente de nenhuma maneira.‹

›Entramos nesse surto com uma noção de que conhecíamos a causa da doença e com bastante certeza de que sabíamos como ela se transmitia de pessoa a pessoa. Talvez‹, concluiu o Dr. Milton Rosenau, se aprendemos alguma coisa, foi que não temos muita certeza do que sabemos sobre a doença‹.

Tentativas anteriores de demonstrar o contágio entre cavalos haviam resultado no mesmo fracasso retumbante. Cavalos saudáveis eram colocados em contato com cavalos doentes durante todos os estágios da doença. Colocavam‐​se bolsas nasais nos cavalos que tinham coriza e febre. Essas bolsas eram então utilizadas para armazenar a comida de outros cavalos, os quais, no entanto, permaneciam obstinadamente saudáveis. Como resultado deste e de outros experimentos, o tenente‐​coronel Herbert Watkins‐​Pitchford, do Corpo Veterinário do exército britânico, relatou em julho de 1917 que não conseguiu encontrar evidências de que a influenza fosse alguma vez transmitida diretamente de um cavalo a outro.

As outras duas pandemias de influenza do século 20, em 1957 e 1968, também estavam associadas com marcos da tecnologia elétrica, encabeçados mais uma vez pelos EUA. […] Em cada caso — em 1889, 1918, 1957 e 1968 —, o envelope elétrico da Terra […] foi súbita e profundamente perturbado.«83

Apesar de que, por conveniência, fizemos aqui citações muito extensas de Firstenberg, encorajamos os leitores a ler seus argumentos completos, que fornecem evidências e explicações muito mais detalhadas para as causas elétricas da influenza, bem como de muitas outros males negados pelo paradigma científico dominante.

Engelbrecht et al. observam, além disso, que a »gripe espanhola« foi antecedida pela campanha de vacinação em escala inédita da Primeira Guerra Mundial.84 Entretanto, seja qual for a verdadeira causa da influenza, o que deve estar claro a essa altura é que não há nenhum bom motivo para crer que seja um vírus contagioso.

Na verdade, até a ciência dominante reconhece que a sequência genética batizada de »influenza« tem apenas uma conexão bastante tênue com a doença que ela supostamente causa. Durante o pico da temporada de gripe, só 10% das »infecções« que se formam nas vias respiratórias superiores podem ser atribuídas a »vírus da influenza«.85 Além disso, embora em várias ocasiões a capacidade de »transmissão assintomática« tenha sido proclamada uma das muitas coisas que tornavam o SARS‐​CoV‑2 tão aterrorizante, um estudo de uma equipe do University College de Londres supostamente observou que 77% das infecções [sic] por influenza podem não apresentar sintomas. Ou seja, o vírus que supostamente causa a doença à que chamamos influenza não é nem necessário, nem suficiente para causar seus sintomas característicos!

Esperamos que, a essa altura, os leitores estejam levando a sério o problema de como a teoria da virologia que prevalece atualmente é insatisfatória para explicar as doenças supostamente virais. Expusemos a fraqueza das bases dessa teoria, bem como as excelentes razões pelas quais ela pode ter persistido como a teoria dominante apesar de sua falsidade. Ainda mais quando consideramos seriamente as implicações do testemunho de Firstenberg, ou as evidências de uma operação coordenada para acobertar as verdadeiras causas da poliomielite: que seções importantes da classe dominante têm no mínimo consciência de que a virologia é profundamente deficiente e facilmente manipulável. Se as grandes pandemias de influenza do século passado foram causadas por tecnologia militar, devemos certamente esperar que este fato seja bem conhecido e compreendido e que, ao mesmo tempo, seja um segredo de Estado muito bem guardado.

Isso não quer dizer que fenômenos importantes não sejam estudados através do paradigma deficiente da virologia, nem mesmo que algumas técnicas eficazes não possam surgir dele. Um exame mais detalhado dessa área está além do âmbito deste trabalho. O que foi mostrado aqui é simplesmente que as principais razões pelas quais o público geral reverencia a virologia não resistem ao escrutínio. Os ganhos na saúde que são atribuídos às inovações da virologia, na realidade, foram fruto dos êxitos da classe trabalhadora na luta de classes por uma melhor qualidade de vida. A virologia tem servido como uma excelente ferramenta para a classe dominante não só em obscurecer esse fato, mas também, no processo, em oferecer‐​lhes um meio sofisticado de manipular, controlar, vigiar e aleijar a população potencialmente rebelde que eles governam, exploram — e temem, mais do que qualquer outra coisa.

No capítulo final [ainda não publicado] deste ensaio, vamos examinar a evolução da virologia como uma estratégia consciente, empregada pela classe dominante no contexto da contrarrevolução global que esquematizei em O Imperialismo Hoje é a Práxis da Conspiração. Vamos examinar as evidências de que o HIV e a AIDS foram uma operação psicológica orquestrada pela facção superior da classe dominante global. Vamos explorar algumas das implicações políticas mais amplas dessa teoria. Vamos também esclarecer a posição correta que os marxistas deveriam adotar perante a ciência da classe dominante e explorar brevemente como seria uma ciência proletária livre e democrática.

Referências

1 David Rasnick, »The tyranny of dogma«. Journal of Information Ethics, nº 24 (2005), http://www.davidrasnick.com/ewExternalFiles/The%20Tyranny%20of%20Dogma.pdf.

2 Richard Levins, »The Two Faces of Science«. Palestra no seminário HealthRoots Political Economy of Health, Harvard School of Public Health, 17 out. 2012, https://​www​.youtube​.com/​w​a​t​c​h​?​v​=​a​E​A​0​u​t​1​G​uh4.

3 Levins, »The Two Faces of Science«.

4 Ver a Parte 1 desta série em Thomas Mohr, »Virologia como Ideologia. Uma Crítica à Pseudociência da Classe Dominante: Ciência e a Sociedade de Classes (Parte I)«. MagMa — Magazin der Masse, 18 jun. 2024, https://magma-magazin.su/2024/06/t‑mohr/virologia-como-ideologia-uma-critica-a-pseudociencia-da-classe-dominante-ciencia-e-a-sociedade-de-classes-parte‑i/.

5 N. T.: sigla criada pelo autor para se referir ao que chama »complexo médico‐​acadêmico‐​científico‐​industrial‐​militar«. Ver a Parte 2 desta série em Thomas Mohr, »Virologia como Ideologia. Uma Crítica à Pseudociência da Classe Dominante (Parte II): O Complexo Médico‐​Acadêmico‐​Científico‐​Industrial‐​Militar (MACIM).« MagMa — Magazin der Masse, 5 nov. 2024, https://magma-magazin.su/2024/11/t‑mohr/virologia-como-ideologia-uma-critica-a-pseudociencia-da-classe-dominante-parte-ii-o-complexo-medico-academico-cientifico-industrial-militar-macim/.

6 Richard Lewontin, Biology as Ideology — Causes and their Effects«. CBC Massey Lectures, programa de rádio, nov. 1990, https://​www​.youtube​.com/​w​a​t​c​h​?​v​=​a​G​N​w​m​4​0​r​n4I.

7 Torsten Engelbrecht et al., Virus Mania: How the Medical Industry Continually Invents Epidemics, Making Billion‐​Dollar Profits At Our Expense (3a ed.). Books on Demand, 2021, Introdução.

10 Engelbrecht et al., Virus Mania, Introdução.

11 Thomas Mohr, »Imperialism Today Is Conspiracy Praxis«. MagMa — Magazin der Masse, 24 set. 2022, https://magma-magazin.su/2022/09/t‑mohr/imperialism-today-is-conspiracy-praxis/.

12 Levins, »The Two Faces of Science«.

13 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 10. 

14 Ibid.

15 N. T.: ver a Parte 2 desta série.

16 Todos os gráficos, salvo indicação em contrário, provêm da página Dissolving Illusions, mantida pelos autores do livro de mesmo nome (Dra. Suzanne Humphries e Roman Bystrianyk). Eles são transparentes e meticulosos com suas fontes e os gráficos podem ser verificados facilmente. É claro que você não vai conseguir encontrara página deles (https://​dissolvingillusions​.com) procurando no Google; no entanto, as páginas que vendem o seu excelente livro são mais difíceis de ser censuradas tão descaradamente. Veja todos os gráficos aqui: https://​dissolvingillusions​.com/​g​r​a​p​h​s​-​i​m​a​g​e​s​/​#​C​h​a​rts.

17 Miller, »Vaccines«, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

18 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 9.

19 »Trial of BCG vaccines in south India for tuberculosis prevention«. Indian Journal of Medical Research, set. 1979, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 11.

20 Cowling et al., »Increased risk of non‐​influenza respiratory virus infections associated with receipt of inactivated influenza vaccine«. Clinical Infectious Diseases, jun. 2012, pp. 1778 — 83, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 11.

21 Robert F. Kennedy Jr., »Greed, Negligence and Deception in the Vaccine Industry«, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 8.

22 Ver Jacob Stegenga, Medical Nihilism (Oxford: University Press, 2018), bastante discutido na Parte 2 deste trabalho.

23 Joy Garner, »Health Versus Disorder, Disease, and Death: Unvaccinated Persons Are Incommensurably Healthier than Vaccinated«. International Journal of Vaccine Theory, Practice, and Research, vol. 2, nº 2 (15 nov. 2022).

24 Lyons‐​Weiler e Thomas, »Relative Incidence of Office Visits and Cumulative Rates of Billed Diagnoses Along the Axis of Vaccination«. International Journal of Environmental Research and Public Health, vol. 17, nº 22 (2020), p. 8674.

25 Alm et al., »Atopy in children of families with an anthroposophic lifestyle«. The Lancet, mai. 1999, pp. 1485 – 88.

26 Miller e Goldman, »Infant mortality rates regressed against number of vaccine doses routinely given: Is there a biochemical or synergistic toxicity?«. Human & Experimental Toxicology, set. 2011, pp. 1420 — 1428, https://​archive​.org/​d​e​t​a​i​l​s​/​p​u​b​m​e​d​-​P​M​C​3​1​7​0​075.

27Hirte et al., »Impfzeitpunkt von Bedeutung«. Deutsches Ärzteblatt, 14 out. 2011, pp. 696 ‑97, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 11.

28 Hooker e Miller, »Analysis of health outcomes in vaccinated and unvaccinated children: Developmental delays, asthma, ear infections and gastrointestinal disorders«. SAGE Open Medicine, 27 mai. 2020, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 11.

29 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 11.

30 McDonald et al., »Delay in Diphtheria, pertussis, tetanus vaccination is associated with a reduced risk of childhood asthma«. Journal of Allergy and Clinical Immunology, mar. 2008, pp. 626‐​631, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 11.

31 Demicheli et al., »Vaccines for measles, mumps and rubella in children«. The Cochrane Database Systematic Reviews, 15 fev. 2012, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 11.

32 Kennedy Jr., » Greed, Negligence and Deception«, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 8.

33 Mark F. Blaxill, »What’s Going on? The Question of Time Trends in Autism.« Public Health Reports (1974‐), vol. 119, nº 6 (nov.-dez. 2004), pp. 536 – 51, http://​www​.jstor​.org/​s​t​a​b​l​e​/​2​0​0​5​6​727.

34 Kennedy Jr., » Greed, Negligence and Deception«.

35 Ibid.

36 Rasnick, »The Tyranny of Dogma«.

37 Miller e Goldman, »Infant mortality rates«, p. 1421.

38 Kennedy Jr., » Greed, Negligence and Deception«.

39 Ibid.

40 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 10.

41 Ibid., cap. 11.

42 Mark Bailey, A Farewell to Virology. 15 set. 2005, https://drsambailey.com/a‑farewell-to-virology-expert-edition/, p. 18.

43 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

44 Bailey, A Farewell to Virology, p. 15.

45 Hans U. P. Tolzin, »Das Ansteckungs‐​Experiment von 1911: Wirklich ein Meilenstein der Forschung?«. impf‐​report, nº1, 2016, pp. 28 – 31, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 11.

46 Bailey, A Farewell to Virology, pp. 16 – 18.

47 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

48 Ver Bailey, A Farewell to Virology, pp. 23 – 26.

49 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

50 Tom Cowan, The Smoking Gun? Study Shows »Virus« Is Identical to Normal Cell »Structures«. 10 jun. 2021, https://​drtomcowan​.com/​b​l​o​g​s​/​b​l​o​g​/​t​h​e​-​s​m​o​k​i​n​g​-​gun.

51 Bailey, A Farewell to Virology, p. 9.

52 Ibid.

53 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 1.

55 Lanka et al., »Präliminäre Resultate der Kontrollversuche — Die Reaktion primärer humaner Epithelzellen auf stringente Virusamplifikations‐​Bedingungen widerlegen die Existenzbehauptungen aller Viren und von SARS‐​CoV‑2«, 25 mar. 2022, em: Bailey, A Farewell to Virology, p. 18.

56 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

57 Ibid.

58 Temin e Baltimore, »RNA‐​directed DNA synthesis and RNA tumor viruses«. Advances in Virus Research, vol. 17 (1972), pp. 129 – 186, em: Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

59 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

60 Levins, »The Two Faces of Science«.

62 Ibid.

63 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

64 Gina Kolata, »Faith in Quick Test Leads to Epidemic That Wasn’t«. The New York Times, 22 jan. 2007, https://web.archive.org/web/20191019005156/https://www.nytimes.com/2007/01/22/health/22whoop.html, em: Bailey, A Farewell to Virology, p. 46.

65 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

66 Ibid.

67 Ibid.

68 Ibid.

69 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 2.

70 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 5.

71 Ibid.

72 Ibid.

73 Ibid.

74 Ibid.

75 Ibid.

76 Arthur Firstenberg, The Invisible Rainbow: A History of Electricity and Life. Londres: Chelsea Green Publishing, 2017, prólogo.

77 Ibid., cap. 7.

78 Ibid.

79 Firstenberg, The Invisible Rainbow, cap. 7.

80 N. T.: em 1779, o médico Carl Abraham Gerhard observou que uma amostra eletrificada de sangue demorava mais para coagular do que uma amostra não eletrificada (Firstenberg, The Invisible Rainbow, cap. 2).

81 N. T.: ver testemunhos de 1918 dos médicos Arthur Erskine e B. L. Knight, em: Firstenberg, The Invisible Rainbow, cap. 8.

82 Firstenbrg, The Invisible Rainbow, cap. 8.

83 Firstenberg, The Invisible Rainbow, cap. 7.

84 Engelbrecht et al., Virus Mania, cap. 7.

85 Kennedy Jr., »Greed, Negligence and Deception«.

Traduzido e publicado pela primeira vez por AntiTecnofascismo (original em inglês aqui)

Imagem: »Tametomo expulsa a varíola da ilha de Oshima« (Wikimedia Commons)

2 thoughts on “Virologia como Ideologia. Uma Crítica à Pseudociência da Classe Dominante (Parte III): Virologia Como Ideologia

  1. …um dazu mal etwas zu sagen: 

    - klar, Naturwissenschaft lässt sich als Ideologie, Weltanschauung darstellen. Es ist nur so: In einer Kritik lassen sich so die Motive und politischen Interessen hinter besonderen bürgerlichen Forschungsunternehmungen zwar denunzieren. Aber Ideologiekritik wird nie die Naturwissenschaft eben als »Wissenschaft« betreffen können, es ist halt ein »Als‐​ob« dabei vorausgesetzt, das vom Forschungsprozeß als solchem absieht.

    Alles was dabei hinsichtlich des Forschungsprozesses gesagt werden kann bleibt »beispielhaft«. Anders: eine politische Kritik ist nicht selbst Teil des naturwissenschaftlichen Forschungsprozesses, sondern urteilt über ihn, seine Mittel seine Ergebnisse, nach ihren Kriterien, die politische bleiben. 

    Sie ersetzt nicht gegebenfalls falsche Ergebnisse durch richtige, sondern wertet nach dem jeweiligen Interesse, das sie in einer Forschung am Werk sieht. So ordnen sich die von Mohr zitierten Einwände von Wissenschaftlern gegen die Ergebnisse der virologischen Forschung, unabhängig davon, ob sie zutreffen oder nicht, zunächst und zuletzt moralischem Urteil unter.

    Für den Fortschritt in der Forschung allein wäre es kein Grund , ein Forschungsprojekt zu verwerfen, weil dabei Schäden an Menschen und Gesellschaft verursacht werden. Es ist ja sogar gleichgültig, ob die Hypothesen, aufgrund derer eine Versuchsanordnung statthat, die Ergebnisse überleben; es kommt da nur darauf an, dass eine Wirkung erzeilt wurde und deren Art zu analysieren, um überprüfen zu können, ob bei Wiederholung das gleiche Ergebnis erhalten wird. Der Wissenschaftler darf sich vorstellen, was er will, wie und warum da was passierte; aus der Phantasie, die ein Naturwissenschaftler über die Natur der DInge hat, auf die Objektivität der naturwissenschaftlichen Erkenntnis zu schließen, sollte als Fehler erkannt werden können. Bei einer Geburt eines Kindes wäre es auch höchst naiv zu behaupten, sie sei eigentlich unmöglich, da der Vater als Frauenhasser bekannt sei und alle seine Freunde versichert, er habe die Abwesenheit Gottes deutlich gespürt, es müsse also ein Dritter im Spiel gewesen sein…

    Kommen wir mal zum Punkt: Was Mohr zur Virologie vorträgt, hat sich so oder ähnlich bereits gegen die Sequenzierung des menschlichen Genoms einwenden lassen. Und tatsächlich wurde das meiner Erinnerung nach in einigen pseudolinken Arbeitzusammenhängen mit Kontakten zu damals sozialdemokratischen Regierungsstellen auch gemacht in einer Zeit als es in der BRD noch keine Ethikkommissionen gab – ach, ja, auch finanziell unterstützt von den Kirchen. Damals ging es um eine kritische Hinterfragung der Pränataldiagnostik (gerade im Zusammenhang mit der Legalität von Leihmütterschaft). Das politische Problem dabei: das Recht auf Abtreibung schien auf einmal eine Verpflichtung zur bevölkerungspolitischen Vorsorge im Sinne des deutschen Akkumulationsregimes mit sich zu führen. Was also tun? Das Recht auf Abtreibung infrage stellen?–

    Ich denke man sieht, worauf es hinauslaufen kann, wenn politische Fragen mit Fragen naturwissenschaftlicher Erkenntnis vermischt werden: Die Denunziation des »Dogmas« der einen, begünstigt das der anderen – und, darauf kommt es wohl an: außer seiner radikalen Skepsis kann der politische Kritiker selbst nicht zu Klärung des Sachverhalts beitragen.

    Und warum sollte er auch? – Auch wenn es den »Virus« gegeben hätte und hätte er auch noch so viele umgebracht – eine Verpflichtung aufs Gemeinwohl, bleibt unter dieses Bedingungen immer der Zwang zur Unterordnung des eigenen Interesses unter die faschistische Volksgemeinschaft – nee: Solidargemeinschaft heisst das ja jetzt – und hat gewiss nichts mit »Gesundbleiben« zu tun.

    Hingegen lässt sich politisch mit einiger Gewissheit vorhersagen: Wer die Frage der Virologie politisch entscheiden will, muss auch zu Pränataldiagnostik und Abtreibungsrecht Stellung beziehen.

    Die Affinität einiger Teile der Coronadissidenz für die Menschheitsfamilienpropaganda des Vatikan lässt auch die Richtung vorhersagen, die bereitsteht, um die hilfreiche Hand Gottes auf Zellebene ins Werk zu setzen.

    Aktuell das erneute Aufkochen der Vergehen des Sexualwissenschaftlers Kentlers und seines christlichen Männerbundes durch hinter der »Demo für Alle« stehende fundamentalistische christliche Kreise, die unkritische Berichterstattung und Spiegelung katholischer und protestantischer Propaganda auch in linken Kanälen der Coronadissidenz, erregt den Verdacht einer vörgangigen Kampagne zur Kooptierung.

    Deshalb als Gegeninformation, eine »verschwörungstheoretische« Handreichung.

    Andreas Kemper, ein noch irgendwie aus Uni‐​Streik‐​Zeiten als einigermaßen verlässlich – wenn auch als sozialpädagogisierendes Weichei – bekannter Genosse, mit einem aufklärischen Video u.a. über den organisatorischen Hintergrund der gerade gehypten »Demo‐​für‐​alle«:

    https://​www​.youtube​.com/​w​a​t​c​h​?​v​=​N​o​J​Y​K​D​o​u​C​P​s​&​l​i​s​t​=​P​L​D​p​L​y​n​D​d​j​N​J​m​M​6​C​Z​9​1​y​5​0​E​G​G​h​d​i​j​7​o​z​P​4​&​i​n​d​e​x=2

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